Existe um monstro chamado comunicação. Que povoa as profundezas
mais obscuras da mente do ser humano. Bom isso ou eu sou retardada.
Mandei um email falando que para chegamos a ter algo (novamente)
temos que conversar mais, ser sinceros, abertos sobre o que sentimos
e pensamos. Inclusive achei que ele ia demorar alguns dias para
responder. Respondeu hoje (!) super rápido, sendo que no final do
email escrevi claramente - quando souber melhor o que quer sabe
aonde me encontrar. Sinceramente na minha concepção mais claro que
isso não pode chegar. Então eu coloquei uma questão importante para
mim, ele concordou, me procurou no intuito de construirmos algo
diferente, sólido. Eis que tem uma festa neste sábado a qual ele
vem anunciando abertamente em uma página de comunicação social que
pretende ir. Normal. Bom nem tanto depois de termos combinado de
sermos sinceros e atentos as necessidades um do outro.
Custa ao menos ter o bom senso de convidar ? Obviamente se a pessoa
está convidando a semanas, meses, ou "outros" eu sei que minha
companhia nesse evento particular não se faz necessária. Porém
vivemos em uma sociedade aonde algumas condutas morais fazem parte
da dança da convivência. Ser sincero para as necessidades
implica diretamente em ser sincero para escutar e respeitar a
necessidade dos outros.
Depois de ter liberado um pouco meus pensamentos com uma amiga
muito querida que em decorrência dos anos, das histórias e do
respeito posso conversar sobre tudo e não ser julgada.
A verdade é que eu gosto dele, e como disse antes entrei nisso
sabendo bem melhor como ele é, e aceitei isso. A verdade que
ficou no ar na conversa entre a minha amiga e eu algumas questões
quais ela colocou para que eu mesma pensasse :
- Você vê nessa relação como algo bom para você ?
- Você acredita que ele tentanto levar isso a sério ?
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Comunicação
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Atração sexual
Estou lendo um livro chamadoDesvendando os mistérios da atração sexual
- O que se passa na cabeça de homens e mulheres sobre amor e sexo.
Quando comecei e leitura realmente estava gostando e com um entusiasmo
enorme de desvendar todas as páginas e os mistérios. Inclusive acordei de
madrugada e continuei lendo mais um pouco. Agora chegou em um ponto do
livro que realmente me causou uma frustração.
O livro é totalmente correto na sua abordagem e baseado em fatos
comprovados. Não se classificaria como um livro apenas de conselhos e
dicas sobre o sexo oposto. Fala desde os primórdios até o dia de hoje sobre
a evolução mental do homem e da mulher.
Tudo isso seria ótimo se não tivesse me causado a sensação de que nos
resumimos a causas biológicas e instintivas. Os homens buscam nas parceiras
a reprodução e as mulheres no homem sustento. E não sou uma feminista
entusiastica defendendo conceito algum. Acho muito válido desmistificar em
partes o amor, todo o processo e elucidar que existem certas químicas que
o nosso corpo produz para que possamos perpetuar a espécie.
Mas aonde está a magia do amor ? Porque tenho certeza que não apenas na
minha história mas na de inúmeros casais existe um pouco mais que apenas
a busca de um útero em boas condições de reprodução e um pênis que traga
sustento para casa.
- O que se passa na cabeça de homens e mulheres sobre amor e sexo.
Quando comecei e leitura realmente estava gostando e com um entusiasmo
enorme de desvendar todas as páginas e os mistérios. Inclusive acordei de
madrugada e continuei lendo mais um pouco. Agora chegou em um ponto do
livro que realmente me causou uma frustração.
O livro é totalmente correto na sua abordagem e baseado em fatos
comprovados. Não se classificaria como um livro apenas de conselhos e
dicas sobre o sexo oposto. Fala desde os primórdios até o dia de hoje sobre
a evolução mental do homem e da mulher.
Tudo isso seria ótimo se não tivesse me causado a sensação de que nos
resumimos a causas biológicas e instintivas. Os homens buscam nas parceiras
a reprodução e as mulheres no homem sustento. E não sou uma feminista
entusiastica defendendo conceito algum. Acho muito válido desmistificar em
partes o amor, todo o processo e elucidar que existem certas químicas que
o nosso corpo produz para que possamos perpetuar a espécie.
Mas aonde está a magia do amor ? Porque tenho certeza que não apenas na
minha história mas na de inúmeros casais existe um pouco mais que apenas
a busca de um útero em boas condições de reprodução e um pênis que traga
sustento para casa.
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Balanço de relacionamento
Para poder nos relacionar temos que nos sentir de igual para igual.
Obviamente existem hierarquias diferentes, posições diferentes mas
dentro de tudo isso tem que haver um balanço. Uma sinergia, algo
que faça com que você sinta que exista lá em algum grau um igual.
Ou teríamos relacionamentos com árvores, e objectos inanimados.
Instintivamente precisamos constantemente manter esse equilíbrio.
Se acontece algo com um desconhecido existe o equilíbrio defensivo.
Instintivo ao ser humano da protecção. Se alguém te xinga na rua,
ou te agride naturalmente existe uma revidação pois a relação com
aquela pessoa não tem bases sólidas. Existe apenas a ação e reação,
sem o "penso", sem o racional apenas o instintivo.
O ser humano não teria sobrevivido sem o instinto natural de se
defender. Se alguém me ataca eu ataco de volta para mostrar que
não pode repetir aquele ato. Com um animal irracional acontece o
mesmo processo porém ele grava isso por repetição e não por
entendimento. Em um relacionamento, seja qual for (familiar,
empresarial,amoroso e etc)ao ser desbalanceado instintivamente o
lado que é "rebaixado" buscar uma forma de se igualar ao outro.
Um exemplo genérico : Um casal decide um casamento aberto,
o marido apesar de aceitar o fato livremente não sai com pessoas
fora do casamento. Ele sabe e aceita o fato concesualmente da sua
esposa sair com outros homens mesmo não fazendo o mesmo.
Existe um desbalanço. Não está sendo de igual para igual.
Instintivamente e não racionalmente ele vai encontrar alguma forma
de contra balancear. Seguindo a lógica do exemplo genérico.
Mulher e homem tem um casamento aberto. Homem aceita mas não
usufrui, mulher usufrui. Homem em desenvantagem e no contexto,
é "traído". Ao decorrer dos fatos e sabendo a história por completo
se descobre que o homem arruinou as finanças do casal e não disse
nada para sua esposa. Ele tinha também o seu segredo, internamente
ele sabia estava "traindo" sua esposa da mesma forma que ela o traia.
Ele confiou nela ao se casar, e ela confiou nele ao entregar
o total poder e controle das finanças familiares.
Isso é o que chamo de balanço de relacionamento. Falando dessa forma
pode até parecer doentio, mas o ser humano inevitavelmente segue
essa lógica ilógica.
Entre amigos ocorre o mesmo. A pessoa me fez sentir assim, me senti
rebaixado então farei o mesmo quando se der a oportunidade. Não é feito
de uma forma abertamente pensada, pois passa tão rapidamente
na nossa mente que chega a ser um automatismo.
E assim sucessivamente entre qualquer relacionamento de iguais.
O que gera esse comportamente ainda é um mistério para minha pessoa,
mas que esse padrão existe me fica muito claro.
Eu gosto de uma pessoa - agora não é exemplo, é o que estou vivendo.
Juntos tivemos uma história. O relacionamento acabou.
Eu terminei o relacionamento, causando um desbalanço. Voltamos, e
existe um receio é verdade - de ambas as partes devo dizer porém
é sobre o desbalanço diário que essa história está causando o que
vem me deixando aflita. Por então carregar uma culpa (?) de ser a
causadora do desbalanço incial e por querer levar adiante novamente
essa relação aceito alguns desbalanços que provavelmente não aceitaria
em outra situações. Poderia dizer que faz parte do amadurecimento como
pessoa porém não acho que realmente seja o caso. Esse é um assunto
para outro momento. Retomando, ele me diz que tem medo. Aceito.
Diz que não está preparado para falar sobre sentimentos. Aceito.
Mas (sempre existe uma mas, é incrível) depois de termos iniciado
novamente nossa jornada juntos (que infelizmente seguem uma tendência
desastrosa de amor e odio) ficamos muito tempo (sic) amigados.
Apenas juntos, dormiamos juntos, passavamos finais de semana juntos,
sem acontecer absolutamente nada em uma cumplicidade que só
pode existir entre pessoas que já haviam se entregaram completamente
e que conhecem profundamente suas intimidades. Porém estão em
um momento de ternura além do fisico. Inevitavelmente a continuação
da ternura e cumplicidade a duas pessoas que se gostam - vira físico,
é a evolução natural do sentimento e da manutenção da espécie.
O fato de ficar um relacionamento subentendido me incomoda, é verdade.
Porém ao tentar novamente sabia dessa possibilidade, então posso
dizer que a aceitei.
Obviamente existem hierarquias diferentes, posições diferentes mas
dentro de tudo isso tem que haver um balanço. Uma sinergia, algo
que faça com que você sinta que exista lá em algum grau um igual.
Ou teríamos relacionamentos com árvores, e objectos inanimados.
Instintivamente precisamos constantemente manter esse equilíbrio.
Se acontece algo com um desconhecido existe o equilíbrio defensivo.
Instintivo ao ser humano da protecção. Se alguém te xinga na rua,
ou te agride naturalmente existe uma revidação pois a relação com
aquela pessoa não tem bases sólidas. Existe apenas a ação e reação,
sem o "penso", sem o racional apenas o instintivo.
O ser humano não teria sobrevivido sem o instinto natural de se
defender. Se alguém me ataca eu ataco de volta para mostrar que
não pode repetir aquele ato. Com um animal irracional acontece o
mesmo processo porém ele grava isso por repetição e não por
entendimento. Em um relacionamento, seja qual for (familiar,
empresarial,amoroso e etc)ao ser desbalanceado instintivamente o
lado que é "rebaixado" buscar uma forma de se igualar ao outro.
Um exemplo genérico : Um casal decide um casamento aberto,
o marido apesar de aceitar o fato livremente não sai com pessoas
fora do casamento. Ele sabe e aceita o fato concesualmente da sua
esposa sair com outros homens mesmo não fazendo o mesmo.
Existe um desbalanço. Não está sendo de igual para igual.
Instintivamente e não racionalmente ele vai encontrar alguma forma
de contra balancear. Seguindo a lógica do exemplo genérico.
Mulher e homem tem um casamento aberto. Homem aceita mas não
usufrui, mulher usufrui. Homem em desenvantagem e no contexto,
é "traído". Ao decorrer dos fatos e sabendo a história por completo
se descobre que o homem arruinou as finanças do casal e não disse
nada para sua esposa. Ele tinha também o seu segredo, internamente
ele sabia estava "traindo" sua esposa da mesma forma que ela o traia.
Ele confiou nela ao se casar, e ela confiou nele ao entregar
o total poder e controle das finanças familiares.
Isso é o que chamo de balanço de relacionamento. Falando dessa forma
pode até parecer doentio, mas o ser humano inevitavelmente segue
essa lógica ilógica.
Entre amigos ocorre o mesmo. A pessoa me fez sentir assim, me senti
rebaixado então farei o mesmo quando se der a oportunidade. Não é feito
de uma forma abertamente pensada, pois passa tão rapidamente
na nossa mente que chega a ser um automatismo.
E assim sucessivamente entre qualquer relacionamento de iguais.
O que gera esse comportamente ainda é um mistério para minha pessoa,
mas que esse padrão existe me fica muito claro.
Eu gosto de uma pessoa - agora não é exemplo, é o que estou vivendo.
Juntos tivemos uma história. O relacionamento acabou.
Eu terminei o relacionamento, causando um desbalanço. Voltamos, e
existe um receio é verdade - de ambas as partes devo dizer porém
é sobre o desbalanço diário que essa história está causando o que
vem me deixando aflita. Por então carregar uma culpa (?) de ser a
causadora do desbalanço incial e por querer levar adiante novamente
essa relação aceito alguns desbalanços que provavelmente não aceitaria
em outra situações. Poderia dizer que faz parte do amadurecimento como
pessoa porém não acho que realmente seja o caso. Esse é um assunto
para outro momento. Retomando, ele me diz que tem medo. Aceito.
Diz que não está preparado para falar sobre sentimentos. Aceito.
Mas (sempre existe uma mas, é incrível) depois de termos iniciado
novamente nossa jornada juntos (que infelizmente seguem uma tendência
desastrosa de amor e odio) ficamos muito tempo (sic) amigados.
Apenas juntos, dormiamos juntos, passavamos finais de semana juntos,
sem acontecer absolutamente nada em uma cumplicidade que só
pode existir entre pessoas que já haviam se entregaram completamente
e que conhecem profundamente suas intimidades. Porém estão em
um momento de ternura além do fisico. Inevitavelmente a continuação
da ternura e cumplicidade a duas pessoas que se gostam - vira físico,
é a evolução natural do sentimento e da manutenção da espécie.
O fato de ficar um relacionamento subentendido me incomoda, é verdade.
Porém ao tentar novamente sabia dessa possibilidade, então posso
dizer que a aceitei.
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terça-feira, 27 de julho de 2010
Respira ... respira ...
Não posso depender dos outros.
Sentimentalmente falando. Não posso, doí demais.
Hoje senti que ia ficar sem ar.
Senti meus pulmões comprimindo e o ar faltando.
Se parar para pensar racionalmente é uma coisa tão idiota.
Racionalmente idiota. Sentimentalmente não.
Agora o que me deixa mais (?) é que estava tão bem.
E agora estou chorando e tendo dificuldade para respirar.
Acho que é isso que querem dizer quando dizem construir
o castelo de areia. Me sinto praticamente bipolar.
Passei o dia inteiro de bom humor, alegre, feliz, lembrado
de como minha noite foi maravilhosa.
E o dia foi acabando, e ele não foi aparecendo.
E a tristeza foi chegando sem eu perceber.
Foi tomando meu ser, e ele foi se entregando sem hesitar.
Primeiro deitou a cabeça no ombro da tristeza, depois abraçou,
até que estava tão juntos que não se sabia aonde começava
um e terminava o outro. Não posso falar para ele. Ele não fez
nada errado. Isso é coisa minha, não dele.
Vou cobrar o que ? Que ele me preencha e uma forma que nenhum
ser humano poderia conseguir ? Como vai adivinhar o que preciso ?
Como vai me dar e suprir algo que nem eu sei que preciso ?
Seria uma conversa mais o menos assim :
Eu : Oi. Porque não veio falar comigo hoje ?
Ele : Porque a gente se separou as 9 da manhã e não se
passaram nem 13 horas.
Eu : Porque você tem uma vida que independente de me agradar ?
Entendo. Porque você tem uma família, amigos, irmãos ? Certo.
Sentimentalmente falando. Não posso, doí demais.
Hoje senti que ia ficar sem ar.
Senti meus pulmões comprimindo e o ar faltando.
Se parar para pensar racionalmente é uma coisa tão idiota.
Racionalmente idiota. Sentimentalmente não.
Agora o que me deixa mais (?) é que estava tão bem.
E agora estou chorando e tendo dificuldade para respirar.
Acho que é isso que querem dizer quando dizem construir
o castelo de areia. Me sinto praticamente bipolar.
Passei o dia inteiro de bom humor, alegre, feliz, lembrado
de como minha noite foi maravilhosa.
E o dia foi acabando, e ele não foi aparecendo.
E a tristeza foi chegando sem eu perceber.
Foi tomando meu ser, e ele foi se entregando sem hesitar.
Primeiro deitou a cabeça no ombro da tristeza, depois abraçou,
até que estava tão juntos que não se sabia aonde começava
um e terminava o outro. Não posso falar para ele. Ele não fez
nada errado. Isso é coisa minha, não dele.
Vou cobrar o que ? Que ele me preencha e uma forma que nenhum
ser humano poderia conseguir ? Como vai adivinhar o que preciso ?
Como vai me dar e suprir algo que nem eu sei que preciso ?
Seria uma conversa mais o menos assim :
Eu : Oi. Porque não veio falar comigo hoje ?
Ele : Porque a gente se separou as 9 da manhã e não se
passaram nem 13 horas.
Eu : Porque você tem uma vida que independente de me agradar ?
Entendo. Porque você tem uma família, amigos, irmãos ? Certo.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Feels like home
Esse final de semana foi especial.
Especial porque estive com alguém do meu passado que nunca esteve
realmente no passado, o equivalente a um pretérito imperfeito presente.
Pretérito imperfeito - Indica um acontecimento que se prolongou
ao longo no tempo com inicio e fim no passado(eu estudava);
Uma ação incompleta realizada no passado. Presente - Indica
o fato no momento em que se fala (ele conjuga).
Todos os sentimentos de certa forma são passageiros, frívolos, instáveis.
E quando não o são ? O que significa ?
Quando brigamos com os nossos familiares principalmente os pais,
sabemos que não vai se romper a ligação. Sabemos que sempre vamos
estar ligados, que sempre serão nossos pais,levando em conta que quem
está aqui escrevendo está em um crise longa de relacionamento paterno.
A verdade é que ele nunca deixou de ser meu pai mesmo não falando
com ele, e não participando ativamente do seu dia a dia.
Da mesma forma que a fidelidade a maternidade e paternidade é
de certa forma uma imposição da sociedade ao meu ponto de vista.
Ame seus pais, respeite seus pais, mas e as crianças que foram
espancadas ? humilhadas ? violentadas ? Sobre isso ninguém fala,
ninguém prega, sobre isso se faz o silêncio.
Enfim não é o assunto que quero escrever hoje. Entrei nesse tema para
refletir sobre o sentimento não impositivo. O sentimento que a sociedade
não te cobra. O sentimento que existe por ele mesmo ?
Seria ele um sentimento mais sincero ? Já que não existe pressão
exterior para contempla lo ? Sempre fui uma pessoa com ideais claros.
Poderia até dizer um pouco inflexível, pois quem segue penas uma regra
geralmente não está muito aberto para descobrir outras.
Relacionamentos - terminou, terminou.
Para que dar outra chance a algo que não deu certo ?
Traição é inaceitável. Tudo tem que ser transparente.Para ser verdadeiro
tem que ser sincero a todo o tempo e a qualquer custo. Acredito que
isso venha um pouco da relação conturbada que vivi dentro de casa com
meus pais. Minha mãe deu muitas chances ao meu infiel pai o que levou
ela a ter seu coração partido inúmeras vezes. Como poderia eu repetir
esse ciclo que só trouxe discórdia e sofrimento ?
Mas eu não sou a minha mãe. E aqui não se trata de buscar vitimas ou
agressores. Todos somos vitimas e agressores por mais difícil que seja
aceitar isso. Se tudo isso aconteceu não adianta buscar culpados pois
um relacionamento é composto de dois. 50/50 é a parcela de cada um.
Depois de bastante reflexão a conclusão é a seguinte, não é porque eu
dei uma segunda chance que me faz uma pessoa mais fraca, ou que isso
venha a significar que eu vou me machucar e inevitavelmente sofrer
como vi acontecer. Se soubesse e pudesse antecipar o futuro o usaria
para outras coisas como ganhar na mega sena. Sem contar que a pessoa
não é equivalente ao meu pai e eu também não sou a minha mãe.
Sim, existe uma identificação inevitável com os nossos pais mas não
quer dizer que o desfecho será o mesmo.
Devo eu abrir mão do que sinto, de quem sou por medo ?
Por medo se repetir uma história trágica em qual fui coadjuvante ?
Não estaria eu jogando a minha vida por uma vida já vivida- sim com
tristezas mas dentro de tudo também alegrias ? Devo eu viver o
presente pensando no passado e manchando meu futuro ?
NÃO !!!!! Não, não e não. Dei muitas chances para essa pessoa.
Dei por amor, daria novas se precisasse.
Porque ninguém nunca vai saber o que eu sinto quando olho nos olhos
dele. Ninguém nunca vai saber como me sinto acolhida quando são os
seus braços que me envolvem e seu hálito que eu sinto.
Só eu sei o vazio quando estamos longe um do outro. Só eu sei que todos
os recomeços foram como se fosse a primeira vez. O mesmo sentimento,
a mesma emoção, o mesmo carinho puro que vi nos seus olhos antes de
termos passado por tantas coisas que apenas nos fizeram crescer.
Que fez com que eu aprenda o verdadeiro significado de perdão,
compaixão e amor. Quando viajamos por muito tempo e voltamos
para casa, existe um sentimento intrínseco tão forte de voltar
aonde pertencemos. Um sentimento que beira ao êxtase de chegar aonde
podemos ser quem somos, e se sentir parte de algo. E é assim como
eu me sinto todas as vezes que voltamos a nos relacionar, como se
tivesse voltando para o lugar que eu pertenço.
Especial porque estive com alguém do meu passado que nunca esteve
realmente no passado, o equivalente a um pretérito imperfeito presente.
Pretérito imperfeito - Indica um acontecimento que se prolongou
ao longo no tempo com inicio e fim no passado(eu estudava);
Uma ação incompleta realizada no passado. Presente - Indica
o fato no momento em que se fala (ele conjuga).
Todos os sentimentos de certa forma são passageiros, frívolos, instáveis.
E quando não o são ? O que significa ?
Quando brigamos com os nossos familiares principalmente os pais,
sabemos que não vai se romper a ligação. Sabemos que sempre vamos
estar ligados, que sempre serão nossos pais,levando em conta que quem
está aqui escrevendo está em um crise longa de relacionamento paterno.
A verdade é que ele nunca deixou de ser meu pai mesmo não falando
com ele, e não participando ativamente do seu dia a dia.
Da mesma forma que a fidelidade a maternidade e paternidade é
de certa forma uma imposição da sociedade ao meu ponto de vista.
Ame seus pais, respeite seus pais, mas e as crianças que foram
espancadas ? humilhadas ? violentadas ? Sobre isso ninguém fala,
ninguém prega, sobre isso se faz o silêncio.
Enfim não é o assunto que quero escrever hoje. Entrei nesse tema para
refletir sobre o sentimento não impositivo. O sentimento que a sociedade
não te cobra. O sentimento que existe por ele mesmo ?
Seria ele um sentimento mais sincero ? Já que não existe pressão
exterior para contempla lo ? Sempre fui uma pessoa com ideais claros.
Poderia até dizer um pouco inflexível, pois quem segue penas uma regra
geralmente não está muito aberto para descobrir outras.
Relacionamentos - terminou, terminou.
Para que dar outra chance a algo que não deu certo ?
Traição é inaceitável. Tudo tem que ser transparente.Para ser verdadeiro
tem que ser sincero a todo o tempo e a qualquer custo. Acredito que
isso venha um pouco da relação conturbada que vivi dentro de casa com
meus pais. Minha mãe deu muitas chances ao meu infiel pai o que levou
ela a ter seu coração partido inúmeras vezes. Como poderia eu repetir
esse ciclo que só trouxe discórdia e sofrimento ?
Mas eu não sou a minha mãe. E aqui não se trata de buscar vitimas ou
agressores. Todos somos vitimas e agressores por mais difícil que seja
aceitar isso. Se tudo isso aconteceu não adianta buscar culpados pois
um relacionamento é composto de dois. 50/50 é a parcela de cada um.
Depois de bastante reflexão a conclusão é a seguinte, não é porque eu
dei uma segunda chance que me faz uma pessoa mais fraca, ou que isso
venha a significar que eu vou me machucar e inevitavelmente sofrer
como vi acontecer. Se soubesse e pudesse antecipar o futuro o usaria
para outras coisas como ganhar na mega sena. Sem contar que a pessoa
não é equivalente ao meu pai e eu também não sou a minha mãe.
Sim, existe uma identificação inevitável com os nossos pais mas não
quer dizer que o desfecho será o mesmo.
Devo eu abrir mão do que sinto, de quem sou por medo ?
Por medo se repetir uma história trágica em qual fui coadjuvante ?
Não estaria eu jogando a minha vida por uma vida já vivida- sim com
tristezas mas dentro de tudo também alegrias ? Devo eu viver o
presente pensando no passado e manchando meu futuro ?
NÃO !!!!! Não, não e não. Dei muitas chances para essa pessoa.
Dei por amor, daria novas se precisasse.
Porque ninguém nunca vai saber o que eu sinto quando olho nos olhos
dele. Ninguém nunca vai saber como me sinto acolhida quando são os
seus braços que me envolvem e seu hálito que eu sinto.
Só eu sei o vazio quando estamos longe um do outro. Só eu sei que todos
os recomeços foram como se fosse a primeira vez. O mesmo sentimento,
a mesma emoção, o mesmo carinho puro que vi nos seus olhos antes de
termos passado por tantas coisas que apenas nos fizeram crescer.
Que fez com que eu aprenda o verdadeiro significado de perdão,
compaixão e amor. Quando viajamos por muito tempo e voltamos
para casa, existe um sentimento intrínseco tão forte de voltar
aonde pertencemos. Um sentimento que beira ao êxtase de chegar aonde
podemos ser quem somos, e se sentir parte de algo. E é assim como
eu me sinto todas as vezes que voltamos a nos relacionar, como se
tivesse voltando para o lugar que eu pertenço.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
I break you and you break me
You break me and I break you. The thing is I can handle it but can you?
Balanço de relação. Entendo o conceito. Concordo parcialmente inclusive
mas a necessidade de ter que estar sempre balanceando o
relacionamento tentando minar aonde o outro é frágil.
Por exemplo em um casal aonde se sabe que ambos são ciumentos.
Se eu sinto ciume, eu faço algo que sei que vai deixar o outro
com ciume. Eu fiz isso durante muito tempo mas hoje que não faço
(ou tento) vejo como é uma forma medíocre de se viver.
Não posso balancear um relacionamento com amor?
Com coisas positivas? Se o outro faz algo para me deixar com ciume
não posso apenas respirar fundo e lembrar que não sou proprietário
de ninguém e que se a pessoa está comigo está por livre vontade e
escolha própria? E se o interesse por outra pessoa surgir e a pessoa
tiver que ir embora não vou poder fazer nada a não ser aceitar ?
Bom a teoria sempre é muito bonita só que me encontro no duelo
de estar no meio desses dois pensamentos. Não quero contra balancear
o relacionamento "pagando na mesma moeda" mas não consigo evitar
como me sinto.O que fazer?
Existe um lindo texto do Osho falando que só existe ciume quando
não existe amor. Concordo em partes. Acho normal sentir um pouco
de receio de perder algo que te faz bem, por isso cuidamos.
No sentido material, um carro por exemplo, eu cuido porque gosto e
não gostaria que roubassem. Acredito que o mesmo está implicito no
conceito de pessoas, claro que no material geralmente é algo que é
comprovadamente teu e no amor não mas convenhamos
quem gosta de perder? Nas palavras de Osho:
Com o ciúme você começa a não permitir certas coisas.
Começa a vigiar. Toma todas as medidas de segurança para que
a pessoa não possa olhar para outra. Só o olhar já é um sinal
de perigo. Não deve falar com outra pessoa, pois falar ...
E você sente medo de que possa ir embora.
Então você fecha todos os caminhos,
todas as possibilidades de ir. Você fecha todas as portas.
Mas aí surge um problema. Quando todas as portas são fechadas,
a pessoa torna se morta, ambos tornam- se prisioneiros,
escravos, e não se pode amar algo morto. Você não pode amar
alguém que não é livre, pois o amor só é belo
quando é dado livremente, voluntariamente,
quando não é tomado, pedido, forçado.
Não quero forçar um sentimento mas também não quero perder,
o que fazer ?
Balanço de relação. Entendo o conceito. Concordo parcialmente inclusive
mas a necessidade de ter que estar sempre balanceando o
relacionamento tentando minar aonde o outro é frágil.
Por exemplo em um casal aonde se sabe que ambos são ciumentos.
Se eu sinto ciume, eu faço algo que sei que vai deixar o outro
com ciume. Eu fiz isso durante muito tempo mas hoje que não faço
(ou tento) vejo como é uma forma medíocre de se viver.
Não posso balancear um relacionamento com amor?
Com coisas positivas? Se o outro faz algo para me deixar com ciume
não posso apenas respirar fundo e lembrar que não sou proprietário
de ninguém e que se a pessoa está comigo está por livre vontade e
escolha própria? E se o interesse por outra pessoa surgir e a pessoa
tiver que ir embora não vou poder fazer nada a não ser aceitar ?
Bom a teoria sempre é muito bonita só que me encontro no duelo
de estar no meio desses dois pensamentos. Não quero contra balancear
o relacionamento "pagando na mesma moeda" mas não consigo evitar
como me sinto.O que fazer?
Existe um lindo texto do Osho falando que só existe ciume quando
não existe amor. Concordo em partes. Acho normal sentir um pouco
de receio de perder algo que te faz bem, por isso cuidamos.
No sentido material, um carro por exemplo, eu cuido porque gosto e
não gostaria que roubassem. Acredito que o mesmo está implicito no
conceito de pessoas, claro que no material geralmente é algo que é
comprovadamente teu e no amor não mas convenhamos
quem gosta de perder? Nas palavras de Osho:
Com o ciúme você começa a não permitir certas coisas.
Começa a vigiar. Toma todas as medidas de segurança para que
a pessoa não possa olhar para outra. Só o olhar já é um sinal
de perigo. Não deve falar com outra pessoa, pois falar ...
E você sente medo de que possa ir embora.
Então você fecha todos os caminhos,
todas as possibilidades de ir. Você fecha todas as portas.
Mas aí surge um problema. Quando todas as portas são fechadas,
a pessoa torna se morta, ambos tornam- se prisioneiros,
escravos, e não se pode amar algo morto. Você não pode amar
alguém que não é livre, pois o amor só é belo
quando é dado livremente, voluntariamente,
quando não é tomado, pedido, forçado.
Não quero forçar um sentimento mas também não quero perder,
o que fazer ?
terça-feira, 13 de julho de 2010
Vazio
"Cansei da terapia." Assim começou a minha ultima sessão terapêutica.
"Aliás cansei de tudo."Aonde me vejo daqui a 5 anos?
No mesmo lugar. Como me vejo daqui a 5 anos? Do mesmo jeito.
Cansei de analisar tudo que eu faço, de ver o motivo além do motivo.
Cansei de entender os outros. Quem me entende ?
Sinto um tédio profundo, de mim, da minha vida, da minha família,
dos meus amigos. Aliás fazem semanas que não vejo ninguém.
Não quero fazer as mesmas coisas que antes mas também não tenho
força para fazer coisas novas. Pensando bem, só tem uma pessoa que
ainda me interessa. Só tem uma pessoa que ainda me faz ter esperança.
Uma pessoa que veio do meu passado, ficou no meu presente e eu
gostariaque ficasse no futuro. Essa pessoa que eu tanto reprimi
dentro de mim, para os outros - na inútil esperança de convencer
os outros aquilo que eu nunca me convenci. Ah, como essa pessoa me
faz sentir. Nisso sou interrompida bruscamente pela voz terapêutica
-:"Sim, o companheiro no vale dos humilhados" (silêncio).
Fito profundamente os olhos da pessoa na minha frente ao mesmo tempo
que ecoam as palavras na minha mente "vale dos humilhados,
humilhados, humilhados". Será que é isso que essa pessoa representa?
Qual é a definição do vale dos humilhados? O que é o vale dos
humilhados? E ainda mais importante- estaria eu no vale dos humilhados?
Hoje fazem aproximadamente duas semanas que tive essa conversa.
Muita coisa se passou. Sai de lá naquele dia com uma única certeza.
Se estar com aquela pessoa me levava ao vale dos humilhados, era lá
aonde eu queria ficar. Para poder definir o vale antes tenho que definir
a pessoa. Agora essa pessoa tem um porém, não existe definição que
comporte essa pessoa. Simplesmente não existe. Três anos se passaram
e digo com todas as palavras e certeza do mundo: Não existe definição
pertinente que consiga ilustrar eloquentemente essa pessoa.
Antes eu ficava com raiva. Raiva por não entender.
Raiva por não ter sentido as atitudes contrárias e invertidas.
Hoje percebo que o bem que a presença me faz é mais importante que
entender. Não entendo ergo não defino. Não defino porque amo.
O que me remete a um conto chamado - A tristeza e a raiva.
A tristeza e a raiva foram juntas nadar no lago. Começou a chover e
tiveram que sair correndo. Na pressa trocaram as roupas e a tristeza
ficou vestida de raiva, e a raiva de tristeza e desde esse dia nunca
mais destrocaram as roupas. Com isso se conclui que muitas vezes a
tristeza vem "vestida" de raiva, e a raiva de tristeza.
Fazendo com que entenda que a raiva que sentia era na verdade uma
tristeza por não entender a pessoa que eu amo.
Tudo isso vem a tona porque esse tédio, esse vazio, apatia ou qualquer
que seja a denominação correta desse sentimento gerou um crescimento.
Opa, pera. É isso mesmo ? Pois é, é isso mesmo. Também não entendi
no começo quando me informaram que o tédio era um lugar bom.
Como a falta de vontade de fazer qualquer coisa, a desesperança e a
inércia poderia acrescentar algo na minha vida ?
Na teoria é muito difícil de entender, eu só entendi na prática.
Vou dar um exemplo. Quando alguém tem um tumor, tem que cortar
pela parte boa para chegar na ruim. O equivalente seria esse.
A apatia seria o equivalente a estar na transição da cirurgia.
Estar sendo aberta para poder ser curada, é a anestesia. Depois de
passar pela anestesia surge a dor. Chorei durante 2 semanas,
sem motivo, sem razão. Senti raiva, senti medo, senti que tinham
aberto minha alma e tirado todas as minhas esperanças.
Não entendia como queriam que eu vivesse a vida sem esperança.
Como poderia ser melhor viver assim? Até que me deparei com um texto
muito bem escrito que consegue explicar em uma espécie de junção a
teoria e prática do que eu estava vivendo.
Do texto Trabalhadores da Luz "No começo, quando você
entra neste estágio, pode sentir-se muito cansado e vazio
por dentro. As coisas que antes você considerava importantes,
agora podem lhe parecer totalmente sem sentido.
Inclusive, podem vir à tona medos que não tenham nenhuma
causa clara ou imediata. Podem ser vagos temores de morrer
ou de perder seus entes queridos. Também pode aflorar
uma raiva, relacionada com situações em seu trabalhos ou
em seu casamento. Tudo o que parecia ser óbvio, agora está
sob dúvida. Aquilo que a consciência apoiada no ego
tentava prevenir, finalmente acontece. Gradualmente, a tampa
da panela se levanta e todo tipo de emoções incontroláveis
e medos aparecem e entram na sua consciência, semeando
dúvida e confusão em sua vida. Até aquele momento,
você estava funcionando quase sempre no piloto automático.
Essa é a parte da apatia e depois da raiva, medo, tristeza que seguem.
Agora a parte do porque é importante viver essa "cirurgia".
(...)Entretanto, quando sua consciência cresce e se expande,
sua personalidade se divide em duas. Uma parte de você
quer manter-se nos velhos padrões, a outra parte questiona
esses padrões, e você se confronta com sentimentos
desagradáveis como raiva, medo e dúvida. Por isso, a expansão
da consciência que ocorre no final do estágio do ego é
frequentemente experimentada como um desmancha
prazeres, um intruso mal recebido, que estraga o jogo.
Esta nova consciência desacomoda tudo o que antes parecia
óbvio e desperta emoções dentro de você, com as quais você
não sabe lidar. Quando você começa a duvidar dos padrões de
pensamento e ação baseados no ego, uma nova parte de você
penetra sua consciência.
Agora estou na fase de ver com o que esse vazio vai ser preenchido
e se vou optar por continuar com velhos padrões ou aderir a novos.
"Aliás cansei de tudo."Aonde me vejo daqui a 5 anos?
No mesmo lugar. Como me vejo daqui a 5 anos? Do mesmo jeito.
Cansei de analisar tudo que eu faço, de ver o motivo além do motivo.
Cansei de entender os outros. Quem me entende ?
Sinto um tédio profundo, de mim, da minha vida, da minha família,
dos meus amigos. Aliás fazem semanas que não vejo ninguém.
Não quero fazer as mesmas coisas que antes mas também não tenho
força para fazer coisas novas. Pensando bem, só tem uma pessoa que
ainda me interessa. Só tem uma pessoa que ainda me faz ter esperança.
Uma pessoa que veio do meu passado, ficou no meu presente e eu
gostariaque ficasse no futuro. Essa pessoa que eu tanto reprimi
dentro de mim, para os outros - na inútil esperança de convencer
os outros aquilo que eu nunca me convenci. Ah, como essa pessoa me
faz sentir. Nisso sou interrompida bruscamente pela voz terapêutica
-:"Sim, o companheiro no vale dos humilhados" (silêncio).
Fito profundamente os olhos da pessoa na minha frente ao mesmo tempo
que ecoam as palavras na minha mente "vale dos humilhados,
humilhados, humilhados". Será que é isso que essa pessoa representa?
Qual é a definição do vale dos humilhados? O que é o vale dos
humilhados? E ainda mais importante- estaria eu no vale dos humilhados?
Hoje fazem aproximadamente duas semanas que tive essa conversa.
Muita coisa se passou. Sai de lá naquele dia com uma única certeza.
Se estar com aquela pessoa me levava ao vale dos humilhados, era lá
aonde eu queria ficar. Para poder definir o vale antes tenho que definir
a pessoa. Agora essa pessoa tem um porém, não existe definição que
comporte essa pessoa. Simplesmente não existe. Três anos se passaram
e digo com todas as palavras e certeza do mundo: Não existe definição
pertinente que consiga ilustrar eloquentemente essa pessoa.
Antes eu ficava com raiva. Raiva por não entender.
Raiva por não ter sentido as atitudes contrárias e invertidas.
Hoje percebo que o bem que a presença me faz é mais importante que
entender. Não entendo ergo não defino. Não defino porque amo.
O que me remete a um conto chamado - A tristeza e a raiva.
A tristeza e a raiva foram juntas nadar no lago. Começou a chover e
tiveram que sair correndo. Na pressa trocaram as roupas e a tristeza
ficou vestida de raiva, e a raiva de tristeza e desde esse dia nunca
mais destrocaram as roupas. Com isso se conclui que muitas vezes a
tristeza vem "vestida" de raiva, e a raiva de tristeza.
Fazendo com que entenda que a raiva que sentia era na verdade uma
tristeza por não entender a pessoa que eu amo.
Tudo isso vem a tona porque esse tédio, esse vazio, apatia ou qualquer
que seja a denominação correta desse sentimento gerou um crescimento.
Opa, pera. É isso mesmo ? Pois é, é isso mesmo. Também não entendi
no começo quando me informaram que o tédio era um lugar bom.
Como a falta de vontade de fazer qualquer coisa, a desesperança e a
inércia poderia acrescentar algo na minha vida ?
Na teoria é muito difícil de entender, eu só entendi na prática.
Vou dar um exemplo. Quando alguém tem um tumor, tem que cortar
pela parte boa para chegar na ruim. O equivalente seria esse.
A apatia seria o equivalente a estar na transição da cirurgia.
Estar sendo aberta para poder ser curada, é a anestesia. Depois de
passar pela anestesia surge a dor. Chorei durante 2 semanas,
sem motivo, sem razão. Senti raiva, senti medo, senti que tinham
aberto minha alma e tirado todas as minhas esperanças.
Não entendia como queriam que eu vivesse a vida sem esperança.
Como poderia ser melhor viver assim? Até que me deparei com um texto
muito bem escrito que consegue explicar em uma espécie de junção a
teoria e prática do que eu estava vivendo.
Do texto Trabalhadores da Luz "No começo, quando você
entra neste estágio, pode sentir-se muito cansado e vazio
por dentro. As coisas que antes você considerava importantes,
agora podem lhe parecer totalmente sem sentido.
Inclusive, podem vir à tona medos que não tenham nenhuma
causa clara ou imediata. Podem ser vagos temores de morrer
ou de perder seus entes queridos. Também pode aflorar
uma raiva, relacionada com situações em seu trabalhos ou
em seu casamento. Tudo o que parecia ser óbvio, agora está
sob dúvida. Aquilo que a consciência apoiada no ego
tentava prevenir, finalmente acontece. Gradualmente, a tampa
da panela se levanta e todo tipo de emoções incontroláveis
e medos aparecem e entram na sua consciência, semeando
dúvida e confusão em sua vida. Até aquele momento,
você estava funcionando quase sempre no piloto automático.
Essa é a parte da apatia e depois da raiva, medo, tristeza que seguem.
Agora a parte do porque é importante viver essa "cirurgia".
(...)Entretanto, quando sua consciência cresce e se expande,
sua personalidade se divide em duas. Uma parte de você
quer manter-se nos velhos padrões, a outra parte questiona
esses padrões, e você se confronta com sentimentos
desagradáveis como raiva, medo e dúvida. Por isso, a expansão
da consciência que ocorre no final do estágio do ego é
frequentemente experimentada como um desmancha
prazeres, um intruso mal recebido, que estraga o jogo.
Esta nova consciência desacomoda tudo o que antes parecia
óbvio e desperta emoções dentro de você, com as quais você
não sabe lidar. Quando você começa a duvidar dos padrões de
pensamento e ação baseados no ego, uma nova parte de você
penetra sua consciência.
Agora estou na fase de ver com o que esse vazio vai ser preenchido
e se vou optar por continuar com velhos padrões ou aderir a novos.
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