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terça-feira, 13 de julho de 2010

Vazio

"Cansei da terapia." Assim começou a minha ultima sessão terapêutica.
"Aliás cansei de tudo."Aonde me vejo daqui a 5 anos?
No mesmo lugar. Como me vejo daqui a 5 anos? Do mesmo jeito.
Cansei de analisar tudo que eu faço, de ver o motivo além do motivo.
Cansei de entender os outros. Quem me entende ?
Sinto um tédio profundo, de mim, da minha vida, da minha família,
dos meus amigos. Aliás fazem semanas que não vejo ninguém.
Não quero fazer as mesmas coisas que antes mas também não tenho
força para fazer coisas novas. Pensando bem, só tem uma pessoa que
ainda me interessa. Só tem uma pessoa que ainda me faz ter esperança.
Uma pessoa que veio do meu passado, ficou no meu presente e eu
gostariaque ficasse no futuro. Essa pessoa que eu tanto reprimi
dentro de mim, para os outros - na inútil esperança de convencer
os outros aquilo que eu nunca me convenci. Ah, como essa pessoa me
faz sentir. Nisso sou interrompida bruscamente pela voz terapêutica
-:"Sim, o companheiro no vale dos humilhados" (silêncio).
Fito profundamente os olhos da pessoa na minha frente ao mesmo tempo
que ecoam as palavras na minha mente "vale dos humilhados,
humilhados, humilhados". Será que é isso que essa pessoa representa?
Qual é a definição do vale dos humilhados? O que é o vale dos
humilhados? E ainda mais importante- estaria eu no vale dos humilhados?
Hoje fazem aproximadamente duas semanas que tive essa conversa.
Muita coisa se passou. Sai de lá naquele dia com uma única certeza.
Se estar com aquela pessoa me levava ao vale dos humilhados, era lá
aonde eu queria ficar. Para poder definir o vale antes tenho que definir
a pessoa. Agora essa pessoa tem um porém, não existe definição que
comporte essa pessoa. Simplesmente não existe. Três anos se passaram
e digo com todas as palavras e certeza do mundo: Não existe definição
pertinente que consiga ilustrar eloquentemente essa pessoa.
Antes eu ficava com raiva. Raiva por não entender.
Raiva por não ter sentido as atitudes contrárias e invertidas.
Hoje percebo que o bem que a presença me faz é mais importante que
entender. Não entendo ergo não defino. Não defino porque amo.
O que me remete a um conto chamado - A tristeza e a raiva.
A tristeza e a raiva foram juntas nadar no lago. Começou a chover e
tiveram que sair correndo. Na pressa trocaram as roupas e a tristeza
ficou vestida de raiva, e a raiva de tristeza e desde esse dia nunca
mais destrocaram as roupas. Com isso se conclui que muitas vezes a
tristeza vem "vestida" de raiva, e a raiva de tristeza.
Fazendo com que entenda que a raiva que sentia era na verdade uma
tristeza por não entender a pessoa que eu amo.
Tudo isso vem a tona porque esse tédio, esse vazio, apatia ou qualquer
que seja a denominação correta desse sentimento gerou um crescimento.
Opa, pera. É isso mesmo ? Pois é, é isso mesmo. Também não entendi
no começo quando me informaram que o tédio era um lugar bom.
Como a falta de vontade de fazer qualquer coisa, a desesperança e a
inércia poderia acrescentar algo na minha vida ?
Na teoria é muito difícil de entender, eu só entendi na prática.
Vou dar um exemplo. Quando alguém tem um tumor, tem que cortar
pela parte boa para chegar na ruim. O equivalente seria esse.
A apatia seria o equivalente a estar na transição da cirurgia.
Estar sendo aberta para poder ser curada, é a anestesia. Depois de
passar pela anestesia surge a dor. Chorei durante 2 semanas,
sem motivo, sem razão. Senti raiva, senti medo, senti que tinham
aberto minha alma e tirado todas as minhas esperanças.
Não entendia como queriam que eu vivesse a vida sem esperança.
Como poderia ser melhor viver assim? Até que me deparei com um texto
muito bem escrito que consegue explicar em uma espécie de junção a
teoria e prática do que eu estava vivendo.
Do texto Trabalhadores da Luz "No começo, quando você
entra neste estágio, pode sentir-se muito cansado e vazio
por dentro. As coisas que antes você considerava importantes,
agora podem lhe parecer totalmente sem sentido.
Inclusive, podem vir à tona medos que não tenham nenhuma
causa clara ou imediata. Podem ser vagos temores de morrer
ou de perder seus entes queridos. Também pode aflorar
uma raiva, relacionada com situações em seu trabalhos ou
em seu casamento. Tudo o que parecia ser óbvio, agora está
sob dúvida. Aquilo que a consciência apoiada no ego
tentava prevenir, finalmente acontece. Gradualmente, a tampa
da panela se levanta e todo tipo de emoções incontroláveis
e medos aparecem e entram na sua consciência, semeando
dúvida e confusão em sua vida. Até aquele momento,
você estava funcionando quase sempre no piloto automático.

Essa é a parte da apatia e depois da raiva, medo, tristeza que seguem.
Agora a parte do porque é importante viver essa "cirurgia".
(...)Entretanto, quando sua consciência cresce e se expande,
sua personalidade se divide em duas. Uma parte de você
quer manter-se nos velhos padrões, a outra parte questiona
esses padrões, e você se confronta com sentimentos
desagradáveis como raiva, medo e dúvida. Por isso, a expansão
da consciência que ocorre no final do estágio do ego é
frequentemente experimentada como um desmancha
prazeres, um intruso mal recebido, que estraga o jogo.
Esta nova consciência desacomoda tudo o que antes parecia
óbvio e desperta emoções dentro de você, com as quais você
não sabe lidar. Quando você começa a duvidar dos padrões de
pensamento e ação baseados no ego, uma nova parte de você
penetra sua consciência.

Agora estou na fase de ver com o que esse vazio vai ser preenchido
e se vou optar por continuar com velhos padrões ou aderir a novos.