Segunda, véspera de feriado e aquele desanimo.
Tem o próprio desanimo de ter o travessão no meio da
semana e não pode aproveitar obviamente mas acredito
que não seja apenas isso.
Estou desanimada, hoje acordei especialmente desanimada.
Pode ser que só tenha caído a ficha agora, pode ser que
esteja abismada em como tudo o que aconteceu na minha
história abalou a minha família.
Semana passada fiquei sabendo que meu pai tem câncer.
Cinco anos atrás minha mãe teve câncer. Maldita doença.
O amor da vida da minha mãe foi (ou ainda é) meu pai,
fato. Ela teve câncer no seio - a parte mais feminina da
mulher (possivelmente uma forma de auto flagelo pois se
não tem o seu amor, não quer ter ninguém - já que depois
do meu pai não quis mais nenhum outro homem). Sem contar
que nunca fez a cirurgia reconstrutora (!!!)
Meu pai sempre foi muito racional. Exatamente o contrário
de mim e da minha mãe, que transbordamos emoção.
Ela uma emoção mais sarcástica e dura.
Eu uma emoção mais de quem vive sempre no pais das
maravilhas. Com a vida dura (emocionalmente) que tive só
poderia ser assim. Assim consegui sobreviver todos os
horrores que vivi. Relendo este paragrafo lembre de um
dia estar admirando os lindos casacos que tenho, de lã,
de cashmere, todos os tipos. De muito bom gosto e extremo
garbo. E ao olhar para todos eles chorei incessantemente.
A maioria quem me deu foi meu pai e naquele momento sabia
que trocaria todos eles por mais carinho dele, por ele me
transmitir emoções com palavras, gestos, carinhos e não
presentes caríssimos como sempre o fez.
São lindos e vazios como as emoções que ele sempre me
transmitiu. Enfim após a explicação do câncer da minha mãe
e do lugar agora vem a do meu pai.
A ligação do coração a cabeça é o pescoço. Dizem que após
sentir algo muito intenso é bom escrever ou falar pois assim
faz o ciclo completo. Como se fosse uma linha reta entre o
coração, a fala e a cabeça. E aonde meu pai teve câncer ?
No pescoço. Fico pensando, será que sou assim também ?
Tenho muitas coisas dos meus pais - algumas que sou totalmente
inversa - pois é um fato terapeuticamente explicado que as
caracteristicas principais ou se copia ou se inverte, e algumas
sou similar - aonde o processo de desvinculação só se pode
dar depois da percepção da similaridade que se carrega.
O famoso corte do cordão umbilical para realmente ser livre.
Tudo ainda está muito na penumbra da minha cabeça e por isso
decidi escrever, pois não sei muito bem o que realmente
está se passando em todo o processo - cabeça/coração.
Sem contar que sou uma pessoa extremamente vaidosa e saiu
um cravo gigante na minha boca, e sinto que estou com
alguns cravinhos e não sei se é da adaptação da pílula.
Obviamente esse fato não ajuda para tudo que vem acontecendo.
Hoje o primeiro dia qual tenho que registar eletronicamente
via digital meu horário de chegada, obviamente me atrasei.
Meu namorado estava em casa e quis deitar mais um pouquinho
ao lado dele - pois dentro de todo esse rodamoinho - é o
lugar que me sinto mais segura. Espero que o decorrer do meu
dia seja um pouco melhor que sua primeira metade.
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Balanço de relacionamento
Para poder nos relacionar temos que nos sentir de igual para igual.
Obviamente existem hierarquias diferentes, posições diferentes mas
dentro de tudo isso tem que haver um balanço. Uma sinergia, algo
que faça com que você sinta que exista lá em algum grau um igual.
Ou teríamos relacionamentos com árvores, e objectos inanimados.
Instintivamente precisamos constantemente manter esse equilíbrio.
Se acontece algo com um desconhecido existe o equilíbrio defensivo.
Instintivo ao ser humano da protecção. Se alguém te xinga na rua,
ou te agride naturalmente existe uma revidação pois a relação com
aquela pessoa não tem bases sólidas. Existe apenas a ação e reação,
sem o "penso", sem o racional apenas o instintivo.
O ser humano não teria sobrevivido sem o instinto natural de se
defender. Se alguém me ataca eu ataco de volta para mostrar que
não pode repetir aquele ato. Com um animal irracional acontece o
mesmo processo porém ele grava isso por repetição e não por
entendimento. Em um relacionamento, seja qual for (familiar,
empresarial,amoroso e etc)ao ser desbalanceado instintivamente o
lado que é "rebaixado" buscar uma forma de se igualar ao outro.
Um exemplo genérico : Um casal decide um casamento aberto,
o marido apesar de aceitar o fato livremente não sai com pessoas
fora do casamento. Ele sabe e aceita o fato concesualmente da sua
esposa sair com outros homens mesmo não fazendo o mesmo.
Existe um desbalanço. Não está sendo de igual para igual.
Instintivamente e não racionalmente ele vai encontrar alguma forma
de contra balancear. Seguindo a lógica do exemplo genérico.
Mulher e homem tem um casamento aberto. Homem aceita mas não
usufrui, mulher usufrui. Homem em desenvantagem e no contexto,
é "traído". Ao decorrer dos fatos e sabendo a história por completo
se descobre que o homem arruinou as finanças do casal e não disse
nada para sua esposa. Ele tinha também o seu segredo, internamente
ele sabia estava "traindo" sua esposa da mesma forma que ela o traia.
Ele confiou nela ao se casar, e ela confiou nele ao entregar
o total poder e controle das finanças familiares.
Isso é o que chamo de balanço de relacionamento. Falando dessa forma
pode até parecer doentio, mas o ser humano inevitavelmente segue
essa lógica ilógica.
Entre amigos ocorre o mesmo. A pessoa me fez sentir assim, me senti
rebaixado então farei o mesmo quando se der a oportunidade. Não é feito
de uma forma abertamente pensada, pois passa tão rapidamente
na nossa mente que chega a ser um automatismo.
E assim sucessivamente entre qualquer relacionamento de iguais.
O que gera esse comportamente ainda é um mistério para minha pessoa,
mas que esse padrão existe me fica muito claro.
Eu gosto de uma pessoa - agora não é exemplo, é o que estou vivendo.
Juntos tivemos uma história. O relacionamento acabou.
Eu terminei o relacionamento, causando um desbalanço. Voltamos, e
existe um receio é verdade - de ambas as partes devo dizer porém
é sobre o desbalanço diário que essa história está causando o que
vem me deixando aflita. Por então carregar uma culpa (?) de ser a
causadora do desbalanço incial e por querer levar adiante novamente
essa relação aceito alguns desbalanços que provavelmente não aceitaria
em outra situações. Poderia dizer que faz parte do amadurecimento como
pessoa porém não acho que realmente seja o caso. Esse é um assunto
para outro momento. Retomando, ele me diz que tem medo. Aceito.
Diz que não está preparado para falar sobre sentimentos. Aceito.
Mas (sempre existe uma mas, é incrível) depois de termos iniciado
novamente nossa jornada juntos (que infelizmente seguem uma tendência
desastrosa de amor e odio) ficamos muito tempo (sic) amigados.
Apenas juntos, dormiamos juntos, passavamos finais de semana juntos,
sem acontecer absolutamente nada em uma cumplicidade que só
pode existir entre pessoas que já haviam se entregaram completamente
e que conhecem profundamente suas intimidades. Porém estão em
um momento de ternura além do fisico. Inevitavelmente a continuação
da ternura e cumplicidade a duas pessoas que se gostam - vira físico,
é a evolução natural do sentimento e da manutenção da espécie.
O fato de ficar um relacionamento subentendido me incomoda, é verdade.
Porém ao tentar novamente sabia dessa possibilidade, então posso
dizer que a aceitei.
Obviamente existem hierarquias diferentes, posições diferentes mas
dentro de tudo isso tem que haver um balanço. Uma sinergia, algo
que faça com que você sinta que exista lá em algum grau um igual.
Ou teríamos relacionamentos com árvores, e objectos inanimados.
Instintivamente precisamos constantemente manter esse equilíbrio.
Se acontece algo com um desconhecido existe o equilíbrio defensivo.
Instintivo ao ser humano da protecção. Se alguém te xinga na rua,
ou te agride naturalmente existe uma revidação pois a relação com
aquela pessoa não tem bases sólidas. Existe apenas a ação e reação,
sem o "penso", sem o racional apenas o instintivo.
O ser humano não teria sobrevivido sem o instinto natural de se
defender. Se alguém me ataca eu ataco de volta para mostrar que
não pode repetir aquele ato. Com um animal irracional acontece o
mesmo processo porém ele grava isso por repetição e não por
entendimento. Em um relacionamento, seja qual for (familiar,
empresarial,amoroso e etc)ao ser desbalanceado instintivamente o
lado que é "rebaixado" buscar uma forma de se igualar ao outro.
Um exemplo genérico : Um casal decide um casamento aberto,
o marido apesar de aceitar o fato livremente não sai com pessoas
fora do casamento. Ele sabe e aceita o fato concesualmente da sua
esposa sair com outros homens mesmo não fazendo o mesmo.
Existe um desbalanço. Não está sendo de igual para igual.
Instintivamente e não racionalmente ele vai encontrar alguma forma
de contra balancear. Seguindo a lógica do exemplo genérico.
Mulher e homem tem um casamento aberto. Homem aceita mas não
usufrui, mulher usufrui. Homem em desenvantagem e no contexto,
é "traído". Ao decorrer dos fatos e sabendo a história por completo
se descobre que o homem arruinou as finanças do casal e não disse
nada para sua esposa. Ele tinha também o seu segredo, internamente
ele sabia estava "traindo" sua esposa da mesma forma que ela o traia.
Ele confiou nela ao se casar, e ela confiou nele ao entregar
o total poder e controle das finanças familiares.
Isso é o que chamo de balanço de relacionamento. Falando dessa forma
pode até parecer doentio, mas o ser humano inevitavelmente segue
essa lógica ilógica.
Entre amigos ocorre o mesmo. A pessoa me fez sentir assim, me senti
rebaixado então farei o mesmo quando se der a oportunidade. Não é feito
de uma forma abertamente pensada, pois passa tão rapidamente
na nossa mente que chega a ser um automatismo.
E assim sucessivamente entre qualquer relacionamento de iguais.
O que gera esse comportamente ainda é um mistério para minha pessoa,
mas que esse padrão existe me fica muito claro.
Eu gosto de uma pessoa - agora não é exemplo, é o que estou vivendo.
Juntos tivemos uma história. O relacionamento acabou.
Eu terminei o relacionamento, causando um desbalanço. Voltamos, e
existe um receio é verdade - de ambas as partes devo dizer porém
é sobre o desbalanço diário que essa história está causando o que
vem me deixando aflita. Por então carregar uma culpa (?) de ser a
causadora do desbalanço incial e por querer levar adiante novamente
essa relação aceito alguns desbalanços que provavelmente não aceitaria
em outra situações. Poderia dizer que faz parte do amadurecimento como
pessoa porém não acho que realmente seja o caso. Esse é um assunto
para outro momento. Retomando, ele me diz que tem medo. Aceito.
Diz que não está preparado para falar sobre sentimentos. Aceito.
Mas (sempre existe uma mas, é incrível) depois de termos iniciado
novamente nossa jornada juntos (que infelizmente seguem uma tendência
desastrosa de amor e odio) ficamos muito tempo (sic) amigados.
Apenas juntos, dormiamos juntos, passavamos finais de semana juntos,
sem acontecer absolutamente nada em uma cumplicidade que só
pode existir entre pessoas que já haviam se entregaram completamente
e que conhecem profundamente suas intimidades. Porém estão em
um momento de ternura além do fisico. Inevitavelmente a continuação
da ternura e cumplicidade a duas pessoas que se gostam - vira físico,
é a evolução natural do sentimento e da manutenção da espécie.
O fato de ficar um relacionamento subentendido me incomoda, é verdade.
Porém ao tentar novamente sabia dessa possibilidade, então posso
dizer que a aceitei.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Narcisismo
O que se esconde atrás do narcisismo ?
Será que é a auto preservação ?
Pois bem seguindo uma lógica que na verdade é mais um fator emotivo do que lógico. Pessoas que passaram por grandes traumas causados por terceiros - abandono, violência, desprezo maternal entre tantas outras coisas - podem em algum momento como forma de auto
protecção se tornar narcisistas ? Não apenas pelo fato de terem que se dar mais amor - por não o ter recebido - mas também pelo fato que a única certeza que tem perante tantos traumas é quem sempre estará presente sem nenhuma duvida será ele mesmo.
Naturalmente com a passagem da criança a adolescência ao adulto o "cordão umbilical" é cortado. Obviamente os pais criam os filhos para poderem caminhar com as próprias pernas e entrega los ao mundo para continuar seu ciclo. Porem e se esse "cordão umbilical" foi cortado antes do tempo ? Antes da criança ser nutrida pela segurança de confiar nos pais, na família, na estrutura que foi criada ?
Narciso amava a si mesmo e morreu pela sua vaidade, mas até que ponto amar a si mesmo excessivamente não é uma forma de suprir o que não recebeu ? De amar, mimar, brindar, glorificar o que se acredita ser seu único companheiro ? Naturalmente com o narcisismo vem a vaidade pois sempre ao que amamos queremos o melhor. Queremos procurar coisas que agradem, que gostem, que façam com que se sintam amados e queridos. Nada mais comum que fazer isso por quem você mais ama.
Chega a ser um problema incompreendido que apenas se vê como vaidade em um narcisista compensando se pelo que não recebeu ?
Será que é a auto preservação ?
Pois bem seguindo uma lógica que na verdade é mais um fator emotivo do que lógico. Pessoas que passaram por grandes traumas causados por terceiros - abandono, violência, desprezo maternal entre tantas outras coisas - podem em algum momento como forma de auto
protecção se tornar narcisistas ? Não apenas pelo fato de terem que se dar mais amor - por não o ter recebido - mas também pelo fato que a única certeza que tem perante tantos traumas é quem sempre estará presente sem nenhuma duvida será ele mesmo.
Naturalmente com a passagem da criança a adolescência ao adulto o "cordão umbilical" é cortado. Obviamente os pais criam os filhos para poderem caminhar com as próprias pernas e entrega los ao mundo para continuar seu ciclo. Porem e se esse "cordão umbilical" foi cortado antes do tempo ? Antes da criança ser nutrida pela segurança de confiar nos pais, na família, na estrutura que foi criada ?
Narciso amava a si mesmo e morreu pela sua vaidade, mas até que ponto amar a si mesmo excessivamente não é uma forma de suprir o que não recebeu ? De amar, mimar, brindar, glorificar o que se acredita ser seu único companheiro ? Naturalmente com o narcisismo vem a vaidade pois sempre ao que amamos queremos o melhor. Queremos procurar coisas que agradem, que gostem, que façam com que se sintam amados e queridos. Nada mais comum que fazer isso por quem você mais ama.
Chega a ser um problema incompreendido que apenas se vê como vaidade em um narcisista compensando se pelo que não recebeu ?
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