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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Soltar o verbo

Existem momentos na vida que se te que falar, o que insiste em calar.
Hoje sentei na mesa da minha mãe e disse com todas as palavras.
"Você não me incentiva." Começou com isso.
E realmente, estamos em um momento de transição aonde ela quer passar a
impresa para mim. Passar o que exatamente ? O que ela se deu ao trabalho de
me ensinar, de mostrar a importância, de passar o cálice sagrado ?
Ultimamente o único que sinto é que ela me critica e reclama. Pô, realmente
estou acomodada, concordo. Quando entrei tinha muitas idéias, muita vontade
mas tudo era bater de frente, nada era bom, nada era aceito. Ah então tá.
Lendo assim parece que eu sou uma acomodada de merda, mas estou longe de ser.
Vou abrir um parenteses e transcrever outra parte da nossa conversa.
- "Mãe, desde quando ser mais o menos passou a ser suficiente para você ?"
- ...
"Tua casa (nossa) é mais o menos - no sentido de cuidados - tua empresa é mais
o menos, teu carro é mais o menos, caralho TEU CORPO É MAIS O MENOS."
E antes que me acusem de ser uma vigorexica masoquista e hipócrita explico :
minha mãe teve câncer a 6 anos atrás e nunca arrumou os seios. Fez 2 operações
que deram errado. Dá medo de fazer uma terceira ?! Com certeza, mas ficar
mutliada não é opção CARALHO !!
Minha mãe tem grana. Não estou falando dela comprar uma Porsche mas ela tem um
carro velho, porra até meu carro é melhor que o dela, e que tanto eu fiz na
vida ?!
A casa tem detalhes de casa não cuidada. Sempre limpa, claro não é como se minha
mãe fosse uma suja, mas os pequenos detalhes que fazem da casa um lar.
A empresa a mesma coisa, tudo podia ser melhor com pequenas melhoras que fazem
grande diferença. No fim tudo é mais o menos porque minha mãe decidiu ser uma
pessoa mais o menos.
Ela respondeu quando foi que ela decidiu aceitar ser mais o menos.
- "Quando entrei em depressão".
Olhei bem no fundo dos olhos dela e respondi :
- "GET OVER IT"
"Você não vai ser a primeira nem a ultima mulher traída. Doí ?! Com certeza mas
já faz um bom tempo. Quer falar sobre dor ?! Eu fui abandonada pela minha família
biológica, adotada por uma família aonde a minha mãe me abandonou novamente pois
se entregou para depressão por um casamento frustrado. Sabe o que ?! GET OVER IT"
Tá, posso ter sido muito dura mas a real é essa. Não estamos falando de meses,
estamos falando de anos - muitos anos, mas MUITOS mesmo, ao menos 10.
Então hoje falei o que tinha que falar, que estava desgastada, cansada e realmente
me sentindo sem incentivo nenhum. Ela comentou que também estava desgastada, e
respondi que ela então achasse forças para segurar a onda porque isso era ser mãe.
Antes de ser julgada como prepotente - EU SEGUREI A ONDA - durante muitos anos
enquanto ela teve depressão e com 12 anos tive escutar de médicos que ela nunca
mais voltaria ao normal. Eu fui mãe da minha mãe e hoje quero e vou ser filha.
Quero ser incentivada, quero ser nutrida e quero apenas o que é meu de direito -
ser filha. Chega uma hora na vida que temos que confiar que nossos pais estão
prontos para ouvir a verdade. Não houve gritos, berros, os exaltações. Houve sim
de uma vez por todos a sinceridade necessária para se criar algo e poder ter bases sólidas para algo tão importante chamado vida.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Feels like home

Esse final de semana foi especial.
Especial porque estive com alguém do meu passado que nunca esteve
realmente no passado, o equivalente a um pretérito imperfeito presente.
Pretérito imperfeito - Indica um acontecimento que se prolongou
ao longo no tempo com inicio e fim no passado(eu estudava);
Uma ação incompleta realizada no passado. Presente - Indica
o fato no momento em que se fala (ele conjuga).

Todos os sentimentos de certa forma são passageiros, frívolos, instáveis.
E quando não o são ? O que significa ?
Quando brigamos com os nossos familiares principalmente os pais,
sabemos que não vai se romper a ligação. Sabemos que sempre vamos
estar ligados, que sempre serão nossos pais,levando em conta que quem
está aqui escrevendo está em um crise longa de relacionamento paterno.
A verdade é que ele nunca deixou de ser meu pai mesmo não falando
com ele, e não participando ativamente do seu dia a dia.
Da mesma forma que a fidelidade a maternidade e paternidade é
de certa forma uma imposição da sociedade ao meu ponto de vista.
Ame seus pais, respeite seus pais, mas e as crianças que foram
espancadas ? humilhadas ? violentadas ? Sobre isso ninguém fala,
ninguém prega, sobre isso se faz o silêncio.
Enfim não é o assunto que quero escrever hoje. Entrei nesse tema para
refletir sobre o sentimento não impositivo. O sentimento que a sociedade
não te cobra. O sentimento que existe por ele mesmo ?
Seria ele um sentimento mais sincero ? Já que não existe pressão
exterior para contempla lo ? Sempre fui uma pessoa com ideais claros.
Poderia até dizer um pouco inflexível, pois quem segue penas uma regra
geralmente não está muito aberto para descobrir outras.
Relacionamentos - terminou, terminou.
Para que dar outra chance a algo que não deu certo ?
Traição é inaceitável. Tudo tem que ser transparente.Para ser verdadeiro
tem que ser sincero a todo o tempo e a qualquer custo. Acredito que
isso venha um pouco da relação conturbada que vivi dentro de casa com
meus pais. Minha mãe deu muitas chances ao meu infiel pai o que levou
ela a ter seu coração partido inúmeras vezes. Como poderia eu repetir
esse ciclo que só trouxe discórdia e sofrimento ?
Mas eu não sou a minha mãe. E aqui não se trata de buscar vitimas ou
agressores. Todos somos vitimas e agressores por mais difícil que seja
aceitar isso. Se tudo isso aconteceu não adianta buscar culpados pois
um relacionamento é composto de dois. 50/50 é a parcela de cada um.
Depois de bastante reflexão a conclusão é a seguinte, não é porque eu
dei uma segunda chance que me faz uma pessoa mais fraca, ou que isso
venha a significar que eu vou me machucar e inevitavelmente sofrer
como vi acontecer. Se soubesse e pudesse antecipar o futuro o usaria
para outras coisas como ganhar na mega sena. Sem contar que a pessoa
não é equivalente ao meu pai e eu também não sou a minha mãe.
Sim, existe uma identificação inevitável com os nossos pais mas não
quer dizer que o desfecho será o mesmo.
Devo eu abrir mão do que sinto, de quem sou por medo ?
Por medo se repetir uma história trágica em qual fui coadjuvante ?
Não estaria eu jogando a minha vida por uma vida já vivida- sim com
tristezas mas dentro de tudo também alegrias ? Devo eu viver o
presente pensando no passado e manchando meu futuro ?
NÃO !!!!! Não, não e não. Dei muitas chances para essa pessoa.
Dei por amor, daria novas se precisasse.
Porque ninguém nunca vai saber o que eu sinto quando olho nos olhos
dele. Ninguém nunca vai saber como me sinto acolhida quando são os
seus braços que me envolvem e seu hálito que eu sinto.
Só eu sei o vazio quando estamos longe um do outro. Só eu sei que todos
os recomeços foram como se fosse a primeira vez. O mesmo sentimento,
a mesma emoção, o mesmo carinho puro que vi nos seus olhos antes de
termos passado por tantas coisas que apenas nos fizeram crescer.
Que fez com que eu aprenda o verdadeiro significado de perdão,
compaixão e amor. Quando viajamos por muito tempo e voltamos
para casa, existe um sentimento intrínseco tão forte de voltar
aonde pertencemos. Um sentimento que beira ao êxtase de chegar aonde
podemos ser quem somos, e se sentir parte de algo. E é assim como
eu me sinto todas as vezes que voltamos a nos relacionar, como se
tivesse voltando para o lugar que eu pertenço.