Lendo meus posts antigos - os que estão no raschunho na verdade -
vejo que a coisa não andava bem a tempos.
Aliás me pergunto se algum dia andou bem.
Conversando com amigas, escutei uma teoria muito interessante.
"Todos temos problemas, você - a pessoa com quem você vai se relacionar.
Todos. Até ai nada novo, mas a grande sacada vem a seguir : Agora existem
problemas que você vai conseguir lidar e conviver e os que não tem jeito".
A água passou pela minha cabeça, a verdade é essa.
Não consigo lidar com os problemas dele. Não consigo.
Vamos aos fatos - não importa se certos, errados, bons ou ruins apenas fatos.
1) Ele é fechado. E quando digo fechado, quero dizer realmente fechado.
Uma pessoa que no geral quase não fala, quer dirá dos seus problemas e questões
profundas. Uma pessoa que vive em sí.
2) Ele é mentiroso. Se é uma patologia, uma defesa, uma característica - não sei.
Sei apenas de fato que ele é mentiroso. Em coisas pequenas, coisas pífias.
"Está tomando água ou Coca cola ?!" - "Água" quando na verdade é Coca.
Faz parte de quem ele é.
3) Ele é vingativo. Fez ? Vai tomar. De preferência dentro do padrão passivo/
agressivo que é o mais letal, já que a pessoa não te agride diretamente.
Não mostra o verdadeiro motivo da agressão, apenas o faz quando menos se espera,
mas eventulamente você lembra que algo aconteceu e a pessoa se sentido agredida.
Exemplo real : "Estou na Isy" a pessoa decide que é na balada. Já que existe uma
balada chamada Eazy. No dia seguinte se encontram para ir a um evento e a pessoa
te trata propositalmente mal, fica de cara fechada, e ainda de quebra fica
olhando com cara de desejo para uma dançarina. Mais passivo/agressivo impossível.
4) Ele é acomodado.
Na vida como profissional/estudade:- Não terminou a faculdade - Não tinha emprego fixo, nunca esteve empregado mais de 1 ano.
Na saúde:- Deixou sua questão de pele se agravar muito até buscar ajuda
Com dinheiro:- Não tem planejamento para um futuro, planos etc.
No relacionamento:- Nunca tenta resolver por pior que esteja, sempre espera que
os outros façam por ele o que teria que fazer por sí só.
Bom mesmo querendo não julgar com essas caracteristicas marcantes fica difícil.
5) Ele é sem personalidade.
Se está comigo e eu falo "whatever", vai passar a falar "whatever" - importante
citar que com conhecimento de causa - como se fosse algo dele.
Agora se uma semana depois está com alguém que fala "bang" ou "isso eu
valorizo" que cá entre nós mais parece uma pessoa do gueto falando, lá vai estar
ele, dizendo o mesmo como se fosse algo dele. Acoplar a quem você é, e falar do
teu jeito é uma coisa, mudar de companhias e imediatamente mudar o vocabulário é outra. Acho que as mais marcantes são essas.
Sem julgar, apenas aceitar - que com essas questões não posso e nem quero lidar.
Estou na fase de tentar forgive but never forget mas estou mais para forget but never forgive vamos ver como vai se desenrolando essa história.
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terça-feira, 23 de agosto de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
You can´t play on broken strings
D´us sabe como eu tentei.
As vezes acho que apenas Ele sabe.
Eu o amo com cada célula do meu corpo, absolutamente cada parte
do meu ser. Eu o amo a ponto de dar a minha vida se necessário,
já cogitei largar tudo por ele, e teria largado.
Amo todas as suas qualidades, e todos os defeitos.
Amo todas as ações boas que ele teve e entendo todas as escolhas
ruins e duvidosas que ele tomou.
Amo ele de todas as formas, de todos os jeitos.
Amo ele a ponto de entender a dor dos poetas.
Amo ele com cada lágrima que já chorei e com cada sorriso que dei.
Mas nada diz mais do que a música Broken strings do James Morrison.
(...)But you broke me now I can't feel anything
When I love you rings so untrue
I can't even convince myself
When I'm speaking It's the voice of someone else
Oh it tears me up
I try to hold on but it hurts too much
I try to forgive but it's not enough
To make it all okay
You can't play on broken strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that ain't real
Oh the truth hurts
A lie's worse
How can I give any more?
When I love you a little less than before
Oh what are we doing
We are turning into dust
Playing house in the ruins of us
Running back through the fire
When there's nothing left to save
It's like chasing the very last train
When it's too late
Too late
Let me hold you
For the last time
It's the last chance to feel again
Tradução
(...)Mas você partiu meu coração
Agora eu não consigo sentir mais nada
Quando eu te amo, soa tão falso
Eu nem ao menos consigo me convencer
Quando estou falando
Parece a voz de outra pessoa
Oh, e isso me dilacera
Eu tentei resistir, mas isso machuca demais
Eu tentei perdoar, mas isso não é o suficiente
Para fazer tudo ficar bem
Você não pode tocar com cordas partidas
Você não pode sentir nada
Que seu coração não queira sentir
Eu não consigo te dizer algo que não seja verdade
Oh, a verdade machuca
E as mentiras mais ainda
Como eu posso dar mais ?
Quando eu te amo um pouco menos do que antes
Oh, o que nós estamos fazendo ?
Estamos nos transformando em pó
Brincando de casinha nas nossas ruínas
Correndo em direção ao fogo
Para salvar algo quando já não há mais ninguém para salvar
É como se estivesse correndo atrás do último trem
Quando já é tarde demais
Tarde demais
Deixe eu te abraçar
Pela última vez
É a última chance para sentir de novo
E no clipe o James canta e ela aparece no vidro que separa
os dois, e é assim que me sinto - como se tivesse um vidro
blindado entre nós. E sei que ele está machucado também.
E não quero mais sofrer, não quero mais que ele sofra.
Eu amo ele, sei que ele me ama também mas as vezes apenas o
amor não é suficiente. E é difícil para alguém como eu, que
sempre acreditei que com amor e por amor se podia tudo.
E o que mais tenho é amor por ele, o que mais sinto é amor por
ele mas hoje sinto que não é suficiente.
Me lembra um texto que recebi em 2008 que vou transcrever,
pois é o que me resta. Escrever para tentar entender o que meu coração
está vivendo. Já mandei esse texto para ele. Mas como a comunicação
é tão dificil e eu nunca recebo um feedback - ou até recebo, uns
20% - do que escrevo, falo, sinto, digo - sequer sei se ele leu.
Quem dirá se ele entendeu, se ele sentiu, então passa a ser indiferente
(mais uma vez) mudando apenas o fato que agora estou tão cansada.
Cansada de falar sem escutar uma resposta, ouvir uma palavra.
Cansada de ser tão dificil ter uma conversa de adultos, aonde ambos
se colocam, aonde ambos conseguem se abrir, aonde se fala.
Cansada de para escutar uma única palavra, uma única frase, demore
minutos, horas, dias, semanas e que as vezes a palavra nunca chegue.
Caindo no falso esquecimento da vã esperança de resposta e posicionamento.
Cansada de falar sem saber se minha mensagem chegou.
Cansada de ter que saber as coisas por outros meios e não por ele.
Cansada de ter que "descobrir" quem ele é, e não viver quem ele é.
Acho que ele nunca vai entender que o que me machuca tanto - menos
do que as suas histórias, suas mentiras, suas escolhas - é o fato
de nunca ser por ele que fico sabendo. Se não me interessase a ponto
de ir atrás para saber com quem tinha escolhido passar o resto da minha
vida, pouco - ou até quase nada - saberia do homem que meu coração
escolheu acolher dentro dele. E isso cansa. Cansa demais.
Segue o texto :
Em italico o texto original.
Em bold os meus comentários
Ah!!! O Amor ...
Aos casados há muito tempo,aos que não casaram, aos que vão casar,
aos que acabaram de casar,aos que pensam em se separar, ...
Aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar.
Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima
posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga.
Tudo o que todos querem é amar.
Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras.
Eu encontrei
Que nos faça entrar em transe, cair de
quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa,
cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí ???
Com ele vivo isso todos os dias
Depois que acaba esta paixão retumbante,
sobra o quê? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam
ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos
conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho.
É tudo o mesmo amor. Não existem vários tipos de amor, assim como
não existem três tipos de saudade, quatro de ódio, seis espécies de
inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado
à familiares, ao cônjuge ou à Deus.
A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue,
a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de
durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de
cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia
ser eterna.
No meu caso particularmente, não é a questão de cobrança - pois
acredito piamente que quem cobra, quem fala, quem "perde"
seu tempo se colocando é quem realmente ama. E quem se cala é
quem sepulta. Já que no texto fala sobre amor o fato do amor de
pai, mãe e conjuge ser o mesmo vou usar o mesmo exemplo.
Qual é o pai que se importa ? Aquele que dá a bronca e que
conversa com o filho ? Que explica, que mostra exemplos, que faz
o filho se colocar no lugar do outro ou aquele que apenas diz :
"acontece" - "entendo" - "ok" - etc ? Para mim essa resposta é
clara mas para ele não sei, não sei essa resposta como tantas
outras porque ele nunca fala, e dificilmente se posiciona sem
antes ter que percorer um longo caminho de paciência e espera
para conseguir que saiam algumas palavras dele. Ele se cala então
nada mais tenho a não ser acreditar que ele tem o amor de "pai"
que se cala e sepulcra o sentimento do filho. E não é o amor que
eu entendo. E já disse tantas vezes mas para continuar no mesmo
lugar de sempre, não tive nenhum feedback. Ele pode até estar
crescendo, pois acredito que algumas das minhas palavras
cheguem a ele, mas se ele não fala como posso saber ?
E cansei de adivinhar. Mas do que cansada de adivinhar apenas
não quero mais. Se ele falar saberei e se não falar, paciência
- até aonde aguentar. Continuando ...
Casaram. Te amo prá lá, te amo
prá cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige
mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem
dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às
vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja,
antes de mais nada, respeito. Disposição para ouvir argumentos
alheios. Alguma paciência ... Amor, só, não basta.
Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de
cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas.
Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de
carência, infantilidades. Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.
* Respeito.
Se calar para mim é falta de respeito. Falta de vontade.
Falta de doação. E particularmente no meu caso, falta de
bom senso para escutar a mulher que diz que ama - que tentas
vezes ficou ao lado esperando palavras que nunca vieram.
* Disposição. É o que mais tive, principalmente dentro dos longos
silêncios. Principalmente na vontade de explicar. De falar.
De dizer. De questionar. De querer entender. E de entender a
dificuldade que ele tem em falar. Mas eu também tenho dificuldade
quando não existe nenhuma resposta. Eu entendo.
E quem me entende ?
Me faz sentir que apenas eu tenho disposição.
Tantas vezes falei que precisava conversar - leia se falar e ouvir
e não apenas falar. O que aconteceu na maioria das vezes.
* Competição. Comparação. Jogo de cintura.
Nunca competi contra ele, sempre a favor - ao menos é assim que
eu sinto. Como ele sente ? Não sei, ele nunca fala. E quando fala
é porque eu peço, é porque eu espero, é porque me calo junto a
ele dentro dos insuportáveis silêncios que cortam meu coração.
Sobre comparação, para mim nunca existiu isso.
Como posso comparar o que nunca senti por ninguém.
O único que fiz sim foi pedir para ele em algumas situações
comparar o que ele sentiria se fosse com ele. E serviu para algo ?
Não sei, ele nunca fala. Jogo de cintura sempre tive, e ele também
pois não sou uma pessoa fácil de lidar, porém quem é quando se
trata de sentimentos ? Mas para ter jogo de cintura tem que haver
diálogo, e nunca existiu - melhorou muito - mas não foi o suficiente.
Em três anos, melhorou 40%, não tenho pressa mas não posso
perder tempo como diria o grande Saramago.
Voltando ao texto.
Tem que haver inteligência.
Um cérebro programado para enfrentar tensões pré menstruais,
rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, tentar não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.
Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio
tem que haver um pouco de silêncio,
atenção para o próprio texto falar que é UM POUCO e não muito amigos de infância, tempo pra cada um.
Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que
não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que
união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, 'solamente',
não basta.
* Confiança. Sempre tive, diria até que tive demais.
Mentiu tantas vezes, e quis acreditar que pararia de mentir.
Sempre continuou, como posso confiar em quem vez após vez
quebra a minha confiança, desperdiça a chance, e queima a
possibilidade de ser viver em paz ? Essa mesma paz que ele
enche a boca para falar que está fazendo de tudo para conseguir.
* Camaradagem. Fazer de conta que não escutou - O fiz, porque
cansada de sempre falar a nada obter de resposta muitas coisas
deixei passar até que cansei. Pois é, amar solamente não basta.
Entre homens e mulheres que
acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão,
racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para
sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não
é dois. Sobre o amor ser apenas poesia,
acredito que ambos sabemos que não é assim. Pois não é
a primeira vez que tentamos, nos separamos para perceber
o quanto nos amamos. Sabemos que não é apenas poesia.
Mas o amor foi maior porém SÓ O AMOR NÃO BASTA.
É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor
que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas
ele próprio não se basta. Um bom amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram! E felicidades a todos nós!
(Texto atribuído a Arthur da Távola)
E entre músicas e crônicas fica o
gosto amargo do dasamparo, de ter amor o suficiente para
alimentar o mundo mas não ter forças para poder ficar ao
lado do homem que amo. Carreguei ele nas costas enquanto pude,
e carregaria mais se tivesse forças, mas não tenho.
Hoje preciso ser carregada para amanhã ter um parceiro ao meu
lado e não nas minhas costas. Existem momentos na vida aonde
o outro precisa de amparo, aonde o outro precisa sim ser
carregado. O carreguei durante tanto tempo, e hoje cansada
me pergunto - quem me carrega ?
Esses dias ele postou uma frase um um livro do A.Cury que está
lendo e li um pouco do livro quando estavamos na praia, e
tenho vontade de perguntar se ele pulou as partes aonde ele diz
(...)"Se você não for capaz de revelar seus sentimentos,
terá grande chance de levar para seu túmulo o melhor tesouro
que possui"
(...)Encante as pessoas que o rodeiam, surpreenda-as com
atitudes inesperadas, diga palavras que nunca expressou.
(...)Ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas humildade para
reconhecer os erros, sabedoria para receber uma crítica justa,
coragem para ouvir um "não", sensibilidade para dizer "eu te amo"
desprendimento para falar "eu preciso de você".
(...)Quem quer conquistar um grande amor tem de reciclar seu
ciúme e superar sua insegurança e seus maneirismos.
(...)Todas as escolhas têm perda. Quem quer não estiver
preparado para perder o irrelevante, não estará apto para
conquistar o fundamental.
E a verdade é que não acho que ele esteja disposto nem
preparado para perder o irrelevante ou se está nunca se deu
ao tempo nem nunca me deu o prazer de me dizer isso.
É o preço que se paga por viver em silêncio.
A opção é dele já as consequências vem da vida.
As vezes acho que apenas Ele sabe.
Eu o amo com cada célula do meu corpo, absolutamente cada parte
do meu ser. Eu o amo a ponto de dar a minha vida se necessário,
já cogitei largar tudo por ele, e teria largado.
Amo todas as suas qualidades, e todos os defeitos.
Amo todas as ações boas que ele teve e entendo todas as escolhas
ruins e duvidosas que ele tomou.
Amo ele de todas as formas, de todos os jeitos.
Amo ele a ponto de entender a dor dos poetas.
Amo ele com cada lágrima que já chorei e com cada sorriso que dei.
Mas nada diz mais do que a música Broken strings do James Morrison.
(...)But you broke me now I can't feel anything
When I love you rings so untrue
I can't even convince myself
When I'm speaking It's the voice of someone else
Oh it tears me up
I try to hold on but it hurts too much
I try to forgive but it's not enough
To make it all okay
You can't play on broken strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that ain't real
Oh the truth hurts
A lie's worse
How can I give any more?
When I love you a little less than before
Oh what are we doing
We are turning into dust
Playing house in the ruins of us
Running back through the fire
When there's nothing left to save
It's like chasing the very last train
When it's too late
Too late
Let me hold you
For the last time
It's the last chance to feel again
Tradução
(...)Mas você partiu meu coração
Agora eu não consigo sentir mais nada
Quando eu te amo, soa tão falso
Eu nem ao menos consigo me convencer
Quando estou falando
Parece a voz de outra pessoa
Oh, e isso me dilacera
Eu tentei resistir, mas isso machuca demais
Eu tentei perdoar, mas isso não é o suficiente
Para fazer tudo ficar bem
Você não pode tocar com cordas partidas
Você não pode sentir nada
Que seu coração não queira sentir
Eu não consigo te dizer algo que não seja verdade
Oh, a verdade machuca
E as mentiras mais ainda
Como eu posso dar mais ?
Quando eu te amo um pouco menos do que antes
Oh, o que nós estamos fazendo ?
Estamos nos transformando em pó
Brincando de casinha nas nossas ruínas
Correndo em direção ao fogo
Para salvar algo quando já não há mais ninguém para salvar
É como se estivesse correndo atrás do último trem
Quando já é tarde demais
Tarde demais
Deixe eu te abraçar
Pela última vez
É a última chance para sentir de novo
E no clipe o James canta e ela aparece no vidro que separa
os dois, e é assim que me sinto - como se tivesse um vidro
blindado entre nós. E sei que ele está machucado também.
E não quero mais sofrer, não quero mais que ele sofra.
Eu amo ele, sei que ele me ama também mas as vezes apenas o
amor não é suficiente. E é difícil para alguém como eu, que
sempre acreditei que com amor e por amor se podia tudo.
E o que mais tenho é amor por ele, o que mais sinto é amor por
ele mas hoje sinto que não é suficiente.
Me lembra um texto que recebi em 2008 que vou transcrever,
pois é o que me resta. Escrever para tentar entender o que meu coração
está vivendo. Já mandei esse texto para ele. Mas como a comunicação
é tão dificil e eu nunca recebo um feedback - ou até recebo, uns
20% - do que escrevo, falo, sinto, digo - sequer sei se ele leu.
Quem dirá se ele entendeu, se ele sentiu, então passa a ser indiferente
(mais uma vez) mudando apenas o fato que agora estou tão cansada.
Cansada de falar sem escutar uma resposta, ouvir uma palavra.
Cansada de ser tão dificil ter uma conversa de adultos, aonde ambos
se colocam, aonde ambos conseguem se abrir, aonde se fala.
Cansada de para escutar uma única palavra, uma única frase, demore
minutos, horas, dias, semanas e que as vezes a palavra nunca chegue.
Caindo no falso esquecimento da vã esperança de resposta e posicionamento.
Cansada de falar sem saber se minha mensagem chegou.
Cansada de ter que saber as coisas por outros meios e não por ele.
Cansada de ter que "descobrir" quem ele é, e não viver quem ele é.
Acho que ele nunca vai entender que o que me machuca tanto - menos
do que as suas histórias, suas mentiras, suas escolhas - é o fato
de nunca ser por ele que fico sabendo. Se não me interessase a ponto
de ir atrás para saber com quem tinha escolhido passar o resto da minha
vida, pouco - ou até quase nada - saberia do homem que meu coração
escolheu acolher dentro dele. E isso cansa. Cansa demais.
Segue o texto :
Em italico o texto original.
Em bold os meus comentários
Ah!!! O Amor ...
Aos casados há muito tempo,aos que não casaram, aos que vão casar,
aos que acabaram de casar,aos que pensam em se separar, ...
Aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar.
Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima
posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga.
Tudo o que todos querem é amar.
Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras.
Eu encontrei
Que nos faça entrar em transe, cair de
quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa,
cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí ???
Com ele vivo isso todos os dias
Depois que acaba esta paixão retumbante,
sobra o quê? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam
ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos
conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho.
É tudo o mesmo amor. Não existem vários tipos de amor, assim como
não existem três tipos de saudade, quatro de ódio, seis espécies de
inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado
à familiares, ao cônjuge ou à Deus.
A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue,
a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de
durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de
cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia
ser eterna.
No meu caso particularmente, não é a questão de cobrança - pois
acredito piamente que quem cobra, quem fala, quem "perde"
seu tempo se colocando é quem realmente ama. E quem se cala é
quem sepulta. Já que no texto fala sobre amor o fato do amor de
pai, mãe e conjuge ser o mesmo vou usar o mesmo exemplo.
Qual é o pai que se importa ? Aquele que dá a bronca e que
conversa com o filho ? Que explica, que mostra exemplos, que faz
o filho se colocar no lugar do outro ou aquele que apenas diz :
"acontece" - "entendo" - "ok" - etc ? Para mim essa resposta é
clara mas para ele não sei, não sei essa resposta como tantas
outras porque ele nunca fala, e dificilmente se posiciona sem
antes ter que percorer um longo caminho de paciência e espera
para conseguir que saiam algumas palavras dele. Ele se cala então
nada mais tenho a não ser acreditar que ele tem o amor de "pai"
que se cala e sepulcra o sentimento do filho. E não é o amor que
eu entendo. E já disse tantas vezes mas para continuar no mesmo
lugar de sempre, não tive nenhum feedback. Ele pode até estar
crescendo, pois acredito que algumas das minhas palavras
cheguem a ele, mas se ele não fala como posso saber ?
E cansei de adivinhar. Mas do que cansada de adivinhar apenas
não quero mais. Se ele falar saberei e se não falar, paciência
- até aonde aguentar. Continuando ...
Casaram. Te amo prá lá, te amo
prá cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige
mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem
dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às
vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja,
antes de mais nada, respeito. Disposição para ouvir argumentos
alheios. Alguma paciência ... Amor, só, não basta.
Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de
cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas.
Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de
carência, infantilidades. Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.
* Respeito.
Se calar para mim é falta de respeito. Falta de vontade.
Falta de doação. E particularmente no meu caso, falta de
bom senso para escutar a mulher que diz que ama - que tentas
vezes ficou ao lado esperando palavras que nunca vieram.
* Disposição. É o que mais tive, principalmente dentro dos longos
silêncios. Principalmente na vontade de explicar. De falar.
De dizer. De questionar. De querer entender. E de entender a
dificuldade que ele tem em falar. Mas eu também tenho dificuldade
quando não existe nenhuma resposta. Eu entendo.
E quem me entende ?
Me faz sentir que apenas eu tenho disposição.
Tantas vezes falei que precisava conversar - leia se falar e ouvir
e não apenas falar. O que aconteceu na maioria das vezes.
* Competição. Comparação. Jogo de cintura.
Nunca competi contra ele, sempre a favor - ao menos é assim que
eu sinto. Como ele sente ? Não sei, ele nunca fala. E quando fala
é porque eu peço, é porque eu espero, é porque me calo junto a
ele dentro dos insuportáveis silêncios que cortam meu coração.
Sobre comparação, para mim nunca existiu isso.
Como posso comparar o que nunca senti por ninguém.
O único que fiz sim foi pedir para ele em algumas situações
comparar o que ele sentiria se fosse com ele. E serviu para algo ?
Não sei, ele nunca fala. Jogo de cintura sempre tive, e ele também
pois não sou uma pessoa fácil de lidar, porém quem é quando se
trata de sentimentos ? Mas para ter jogo de cintura tem que haver
diálogo, e nunca existiu - melhorou muito - mas não foi o suficiente.
Em três anos, melhorou 40%, não tenho pressa mas não posso
perder tempo como diria o grande Saramago.
Voltando ao texto.
Tem que haver inteligência.
Um cérebro programado para enfrentar tensões pré menstruais,
rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, tentar não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.
Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio
tem que haver um pouco de silêncio,
atenção para o próprio texto falar que é UM POUCO e não muito amigos de infância, tempo pra cada um.
Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que
não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que
união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, 'solamente',
não basta.
* Confiança. Sempre tive, diria até que tive demais.
Mentiu tantas vezes, e quis acreditar que pararia de mentir.
Sempre continuou, como posso confiar em quem vez após vez
quebra a minha confiança, desperdiça a chance, e queima a
possibilidade de ser viver em paz ? Essa mesma paz que ele
enche a boca para falar que está fazendo de tudo para conseguir.
* Camaradagem. Fazer de conta que não escutou - O fiz, porque
cansada de sempre falar a nada obter de resposta muitas coisas
deixei passar até que cansei. Pois é, amar solamente não basta.
Entre homens e mulheres que
acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão,
racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para
sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não
é dois. Sobre o amor ser apenas poesia,
acredito que ambos sabemos que não é assim. Pois não é
a primeira vez que tentamos, nos separamos para perceber
o quanto nos amamos. Sabemos que não é apenas poesia.
Mas o amor foi maior porém SÓ O AMOR NÃO BASTA.
É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor
que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas
ele próprio não se basta. Um bom amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram! E felicidades a todos nós!
(Texto atribuído a Arthur da Távola)
E entre músicas e crônicas fica o
gosto amargo do dasamparo, de ter amor o suficiente para
alimentar o mundo mas não ter forças para poder ficar ao
lado do homem que amo. Carreguei ele nas costas enquanto pude,
e carregaria mais se tivesse forças, mas não tenho.
Hoje preciso ser carregada para amanhã ter um parceiro ao meu
lado e não nas minhas costas. Existem momentos na vida aonde
o outro precisa de amparo, aonde o outro precisa sim ser
carregado. O carreguei durante tanto tempo, e hoje cansada
me pergunto - quem me carrega ?
Esses dias ele postou uma frase um um livro do A.Cury que está
lendo e li um pouco do livro quando estavamos na praia, e
tenho vontade de perguntar se ele pulou as partes aonde ele diz
(...)"Se você não for capaz de revelar seus sentimentos,
terá grande chance de levar para seu túmulo o melhor tesouro
que possui"
(...)Encante as pessoas que o rodeiam, surpreenda-as com
atitudes inesperadas, diga palavras que nunca expressou.
(...)Ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas humildade para
reconhecer os erros, sabedoria para receber uma crítica justa,
coragem para ouvir um "não", sensibilidade para dizer "eu te amo"
desprendimento para falar "eu preciso de você".
(...)Quem quer conquistar um grande amor tem de reciclar seu
ciúme e superar sua insegurança e seus maneirismos.
(...)Todas as escolhas têm perda. Quem quer não estiver
preparado para perder o irrelevante, não estará apto para
conquistar o fundamental.
E a verdade é que não acho que ele esteja disposto nem
preparado para perder o irrelevante ou se está nunca se deu
ao tempo nem nunca me deu o prazer de me dizer isso.
É o preço que se paga por viver em silêncio.
A opção é dele já as consequências vem da vida.
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
Limite pessoal
Quando duas pessoas decidem se juntar, até onde vai o limite pessoal ?
Duas pessoas com cicatrizes profundas. Cicatrizes de um passado
dolorido. Desconfiança, abandono, medo, separação.
Meu pai traiu a minha mãe, que teve depressão severa durante anos.
Chegando a ser submetida a tratamento de choque (aquele que vemos
hororrizados nos filmes). Lembro do médico dizer que ela nunca mais
voltaria ao normal. Meu pai era ausente, trabalhava demais, tinha
"mulheres" demais então para compensar sua falta me comprava.
Não gosto de parecer uma pessoa que está lamuriando da vida.
Na verdade não é isso. Estou buscando respostas na verdade.
Buscandos respostas para coisas que ainda não consegui comprender.
Esse 'breafing' leva ao título do post - limite pessoal. Cresci em um
ambiente difícil,com muito dinheiro e pouco sentimento. Demorei muito
na minha vida para entender o amor. E ainda acho que me falta bastante.
Conheci muitas pessoas. De todo tipo, de todos os jeitos, de todas as
camadas sociais. Sempre fui sedutora, com um lindo sorriso e um jeito
cativante. Nunca tive problemas em conquistar os homens e conseguir
o que queria - meu pai me ensinou bem como ser uma predadora.
Sempre fui uma pessoa muito sensível.
Aquela pessoa que percebe olhares, enxerga as mãos, observa atenta
os pequenos movimentos corporais, gestos, tudo. Afinal sempre pisei
sobre ovos. As vezes gostaria de ser diferente. É muito complicado
perceber que o corpo diz algo que não condiz com o que sai da boca.
Como sempre consegui ver além das palavras tinha um controle maior
sobre as pessoas. Quase como um detector de mentiras levava
vantagens massivas sobre as pessoas que me relacionava. O controle
permite que você decida se vai se entregar ou não.
Parece uma vantagem impressionante mas a verdade é que não é, não é
pelo simples fato que não existe entrega. Mesmo quando sabia que
alguém estava mentindo esperava o momento oportuno para jogar
em cara, mostrar que sempre soube, que estava apenas seguindo o jogo.
Ao apresentar as cartas na mesa dava um cheque mate e saia por cima.
Eu me entregava até onde queria e quando queria. Claro que durante
todo esse percurso houveram tentativas e erros, ajudando ao
aperfeiçoamento. Foi quando aconteceu. Foi quando o conheci.
Conheci aquele que ia quebrar minhas verdades. Aquele que mentiria,
que eu descobriria e ficaria. Aquele que me fez ver que podemos
aprender a perdoar quando alguém nos machuca. Que se temos alguém
para ajudar a curar a ferida, ela eventualmente pode ser esquecida.
Que a vingança traz prazer não posso negar, mas que ter alguém que
te faça ao menos repensar se vale a pena retribuir na mesma moeda
é algo impagável. Ninguém me machucava porque eu não permitia.
Não me permitia ser. Apenas ser. Que vida é essa aonde não podemos
ser quem somos ? Que vida é essa aonde vamos nos adaptando a ser
quem achamos que os outros esperam ? Acredito que essa vida seja
a que a maioria de nós leve inclusive sem perceber. Estou longe de
ser santa. Apesar de hoje ver todas as coisas boas que ele me trouxe,
de saber que cresci muito com ele, que aprendi a desculpar e confiar
em alguém do sexo oposto eu fiz com ele o que sei fazer de melhor.
Extirpar fatos, verdades, palavras ditas pela metade, fatos,
pegar os pontos mais fracos e fazer eles sangrarem. Fomentar a dor
que aprendi a causar, a dor que nunca me permiti sentir.
Todos os que conviveram comigo conhecem esse meu lado de viuva
negra. Inclusive meu primeiro namorado que causou um acidente
terrível comigo no carro ao ser atropelado e largado a esmo no meio
da rua foi atribuido a possíbilidade do incidente estar ligado
comigo. Eu sentia orgulho disso, sentia orgulho de ser assim.
De que soubessem que se mexessem comigo e me machucassem de
qualquer forma iam pagar caro por isso. Me sentia poderosa,
me sentia intocável, me sentia ... sozinha.
Tinha, tenho (?) vergonha de algumas coisas. Apesar de saber que a
vergonha e a prepotência caminham juntos. Afinal só posso sentir
vergonha de algo que me ache melhor, mais merecedora de ter do que
aquilo que realmente tenho. Por exemplo se tenho cabelos enrolados
e faço escova e escondo isso é porque acredito que eu seja melhor
do que as pessoas de cabelo enrolado. Tão melhor que ninguém sequer
pode saber que eu na verdade tenha o cabelo enrolado. Demorei para
entender essa analogia mas faz perfeito sentido.
Acabei entrando mais em mim para chegar ao que não entendo.
Limite pessoal. Aonde eu começo e o outro termina. Ao escrever isso
tudo que me veem a cabeça são as palavras - mentira e hipocrisia.
Preciso aprender a diferenciar a mentira do esquecimento. A mentira
da convivência com a mentira do âmago. Por enquanto não consigo,
como eu gostaria - mas não consigo. A mentira social faz parte da
sociedade como um todo. Se uma pessoa próxima corta o cabelo ou usa
uma roupa que faz parecer o display da feirinha hippie de uma cidade
do interior cabe a mim falar abertamente que o cabelo ficou parecendo
uma cuíca e que essa combinação de cores não serviria nem para a
combinação da escola de samba da Mangueira ? Ou se alguém que é
querido por mim se apaixona por uma pessoa com aparência de quem foi
resgatado meses dentro de uma mina sem tomar banho e sem conciência
social para ter o mínimo de convívio. Pior ainda, se essa for a
minha opinião e não a da pessoa ? Quando alguém que não encontro
anos a fio simpáticamente diz que gostaria de marcar algo e é tão
obvio que está apenas dizendo, cabe a mim replicar e dizer que se
realmente quissese algo teria mantido contato e não arbritariamente
esbarrado comigo na rua ? Ás vezes não existe problema em dizer, mas
estar sempre "desarmando" as pessoas e tirando a "mentira social"
provavelmente vai se tornar algo que acabe me fazendo ser uma pessoa
isolada, afinal faz parte da cultura. Como fica claro pela extensão
do meu texto de hoje (e por não sentir a necessidade de escrever
outros dias) estou precisando colocar a cabeça em ordem.
A questão básica, qual entitula o post, é sobre o limite pessoal.
Acredito que resumindo o que preciso colocar em ordem é entender a
minha real necessidade de estar encrustada em tudo que ele pensa e
faz, e naturalmente permitir que ele faça o mesmo comigo.
Aonde eu começo ? Aonde ele termina ? Fiz muito isso, de querer saber
cada passo - principalmente dele - que cativou um espaço nunca antes
habitado como o meu coração. Quando estavamos separados mesmo
sabendo que iria sofrer ao ver ele com outra pessoa eventualmente
olhava suas coisas, falava com seus amigos para saber alguma
informação. Queria sentir que ainda existia uma conexão entre nós.
Buscava ligações nas coisas que ele escrevia, nas musicas que ele
postava, nos comentários proferidos em tantos momentos distintos.
Queria me encontrar nele, queria acreditar que ainda existia algo
de mim nele. E de certa forma existiu sim porque hoje novamente
estamos juntos. Mais adultos, mais maduros, mais abertos, mais
confiantes e dispostos a ouvir e sermos escutados. Quando ele me
perguntou sobre o que se passou quando estavamos separados e
provavelmente em decorrência da minha constante necessidade de
indiretamente dar a entender que eu acompanhei seu cada passo (seria
novamente a minha necessidade de mostrar que não seria feita de
idiota ?!). Calma lá, será que esse poder que preciso mostrar com
fatos não é a cobertura dos meus fantasmas internos ? Se tenho
informações e as digo tenho poder. Poder de proteção, poder de
mostrar ao outro que não sou vunerável a ele quando na verdade essa é
a minha maior fragilidade. Perceber o quão sou vunerável, aos que
eu amo. Acho que preciso entender que amar é ser vunerável afinal já
descobri tantas coisas dele que me machucaram, já peguei ele em
mentiras sociais e não sociais, já questionei e apresentei fatos aonde
ele teve que se submeter a dizer que mentiu - e francamente nada disso
mudou o que sinto por ele. Meu limite pessoal vai emergir quando puder
assumir que sou vunerável, que ele também é e que independente do
que possa eu descobrir o amo incondicionalmente.
Duas pessoas com cicatrizes profundas. Cicatrizes de um passado
dolorido. Desconfiança, abandono, medo, separação.
Meu pai traiu a minha mãe, que teve depressão severa durante anos.
Chegando a ser submetida a tratamento de choque (aquele que vemos
hororrizados nos filmes). Lembro do médico dizer que ela nunca mais
voltaria ao normal. Meu pai era ausente, trabalhava demais, tinha
"mulheres" demais então para compensar sua falta me comprava.
Não gosto de parecer uma pessoa que está lamuriando da vida.
Na verdade não é isso. Estou buscando respostas na verdade.
Buscandos respostas para coisas que ainda não consegui comprender.
Esse 'breafing' leva ao título do post - limite pessoal. Cresci em um
ambiente difícil,com muito dinheiro e pouco sentimento. Demorei muito
na minha vida para entender o amor. E ainda acho que me falta bastante.
Conheci muitas pessoas. De todo tipo, de todos os jeitos, de todas as
camadas sociais. Sempre fui sedutora, com um lindo sorriso e um jeito
cativante. Nunca tive problemas em conquistar os homens e conseguir
o que queria - meu pai me ensinou bem como ser uma predadora.
Sempre fui uma pessoa muito sensível.
Aquela pessoa que percebe olhares, enxerga as mãos, observa atenta
os pequenos movimentos corporais, gestos, tudo. Afinal sempre pisei
sobre ovos. As vezes gostaria de ser diferente. É muito complicado
perceber que o corpo diz algo que não condiz com o que sai da boca.
Como sempre consegui ver além das palavras tinha um controle maior
sobre as pessoas. Quase como um detector de mentiras levava
vantagens massivas sobre as pessoas que me relacionava. O controle
permite que você decida se vai se entregar ou não.
Parece uma vantagem impressionante mas a verdade é que não é, não é
pelo simples fato que não existe entrega. Mesmo quando sabia que
alguém estava mentindo esperava o momento oportuno para jogar
em cara, mostrar que sempre soube, que estava apenas seguindo o jogo.
Ao apresentar as cartas na mesa dava um cheque mate e saia por cima.
Eu me entregava até onde queria e quando queria. Claro que durante
todo esse percurso houveram tentativas e erros, ajudando ao
aperfeiçoamento. Foi quando aconteceu. Foi quando o conheci.
Conheci aquele que ia quebrar minhas verdades. Aquele que mentiria,
que eu descobriria e ficaria. Aquele que me fez ver que podemos
aprender a perdoar quando alguém nos machuca. Que se temos alguém
para ajudar a curar a ferida, ela eventualmente pode ser esquecida.
Que a vingança traz prazer não posso negar, mas que ter alguém que
te faça ao menos repensar se vale a pena retribuir na mesma moeda
é algo impagável. Ninguém me machucava porque eu não permitia.
Não me permitia ser. Apenas ser. Que vida é essa aonde não podemos
ser quem somos ? Que vida é essa aonde vamos nos adaptando a ser
quem achamos que os outros esperam ? Acredito que essa vida seja
a que a maioria de nós leve inclusive sem perceber. Estou longe de
ser santa. Apesar de hoje ver todas as coisas boas que ele me trouxe,
de saber que cresci muito com ele, que aprendi a desculpar e confiar
em alguém do sexo oposto eu fiz com ele o que sei fazer de melhor.
Extirpar fatos, verdades, palavras ditas pela metade, fatos,
pegar os pontos mais fracos e fazer eles sangrarem. Fomentar a dor
que aprendi a causar, a dor que nunca me permiti sentir.
Todos os que conviveram comigo conhecem esse meu lado de viuva
negra. Inclusive meu primeiro namorado que causou um acidente
terrível comigo no carro ao ser atropelado e largado a esmo no meio
da rua foi atribuido a possíbilidade do incidente estar ligado
comigo. Eu sentia orgulho disso, sentia orgulho de ser assim.
De que soubessem que se mexessem comigo e me machucassem de
qualquer forma iam pagar caro por isso. Me sentia poderosa,
me sentia intocável, me sentia ... sozinha.
Tinha, tenho (?) vergonha de algumas coisas. Apesar de saber que a
vergonha e a prepotência caminham juntos. Afinal só posso sentir
vergonha de algo que me ache melhor, mais merecedora de ter do que
aquilo que realmente tenho. Por exemplo se tenho cabelos enrolados
e faço escova e escondo isso é porque acredito que eu seja melhor
do que as pessoas de cabelo enrolado. Tão melhor que ninguém sequer
pode saber que eu na verdade tenha o cabelo enrolado. Demorei para
entender essa analogia mas faz perfeito sentido.
Acabei entrando mais em mim para chegar ao que não entendo.
Limite pessoal. Aonde eu começo e o outro termina. Ao escrever isso
tudo que me veem a cabeça são as palavras - mentira e hipocrisia.
Preciso aprender a diferenciar a mentira do esquecimento. A mentira
da convivência com a mentira do âmago. Por enquanto não consigo,
como eu gostaria - mas não consigo. A mentira social faz parte da
sociedade como um todo. Se uma pessoa próxima corta o cabelo ou usa
uma roupa que faz parecer o display da feirinha hippie de uma cidade
do interior cabe a mim falar abertamente que o cabelo ficou parecendo
uma cuíca e que essa combinação de cores não serviria nem para a
combinação da escola de samba da Mangueira ? Ou se alguém que é
querido por mim se apaixona por uma pessoa com aparência de quem foi
resgatado meses dentro de uma mina sem tomar banho e sem conciência
social para ter o mínimo de convívio. Pior ainda, se essa for a
minha opinião e não a da pessoa ? Quando alguém que não encontro
anos a fio simpáticamente diz que gostaria de marcar algo e é tão
obvio que está apenas dizendo, cabe a mim replicar e dizer que se
realmente quissese algo teria mantido contato e não arbritariamente
esbarrado comigo na rua ? Ás vezes não existe problema em dizer, mas
estar sempre "desarmando" as pessoas e tirando a "mentira social"
provavelmente vai se tornar algo que acabe me fazendo ser uma pessoa
isolada, afinal faz parte da cultura. Como fica claro pela extensão
do meu texto de hoje (e por não sentir a necessidade de escrever
outros dias) estou precisando colocar a cabeça em ordem.
A questão básica, qual entitula o post, é sobre o limite pessoal.
Acredito que resumindo o que preciso colocar em ordem é entender a
minha real necessidade de estar encrustada em tudo que ele pensa e
faz, e naturalmente permitir que ele faça o mesmo comigo.
Aonde eu começo ? Aonde ele termina ? Fiz muito isso, de querer saber
cada passo - principalmente dele - que cativou um espaço nunca antes
habitado como o meu coração. Quando estavamos separados mesmo
sabendo que iria sofrer ao ver ele com outra pessoa eventualmente
olhava suas coisas, falava com seus amigos para saber alguma
informação. Queria sentir que ainda existia uma conexão entre nós.
Buscava ligações nas coisas que ele escrevia, nas musicas que ele
postava, nos comentários proferidos em tantos momentos distintos.
Queria me encontrar nele, queria acreditar que ainda existia algo
de mim nele. E de certa forma existiu sim porque hoje novamente
estamos juntos. Mais adultos, mais maduros, mais abertos, mais
confiantes e dispostos a ouvir e sermos escutados. Quando ele me
perguntou sobre o que se passou quando estavamos separados e
provavelmente em decorrência da minha constante necessidade de
indiretamente dar a entender que eu acompanhei seu cada passo (seria
novamente a minha necessidade de mostrar que não seria feita de
idiota ?!). Calma lá, será que esse poder que preciso mostrar com
fatos não é a cobertura dos meus fantasmas internos ? Se tenho
informações e as digo tenho poder. Poder de proteção, poder de
mostrar ao outro que não sou vunerável a ele quando na verdade essa é
a minha maior fragilidade. Perceber o quão sou vunerável, aos que
eu amo. Acho que preciso entender que amar é ser vunerável afinal já
descobri tantas coisas dele que me machucaram, já peguei ele em
mentiras sociais e não sociais, já questionei e apresentei fatos aonde
ele teve que se submeter a dizer que mentiu - e francamente nada disso
mudou o que sinto por ele. Meu limite pessoal vai emergir quando puder
assumir que sou vunerável, que ele também é e que independente do
que possa eu descobrir o amo incondicionalmente.
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